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Dourados fechou 2024 com situação fiscal controlada, aponta Tesouro Nacional

Apesar da estabilidade das contas, prefeito Marçal Filho diz que não quer dinheiro público sendo gasto de forma desordenada

Redação by Redação
24 de junho de 2025
in Contas, Transparência
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Dourados fechou 2024 com situação fiscal controlada, aponta Tesouro Nacional

Em reunião com secretários em fevereiro, prefeito Marçal Filho (centro, à direita) avisou que administrará Dourados como empresa privada (Foto: Divulgação)

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LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA

Dourados fechou 2024 com as contas fiscais controladas e aprovadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Prévia a que o MS em Brasília teve acesso mostra que o município teve nota B em relação ao índice sobre Capacidade de Pagamento (Capag).

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O índice mede a saúde financeira de estados e municípios em relação à capacidade de honrar compromissos financeiros e obter garantias da União em empréstimos. São analisados três indicadores: endividamento, poupança corrente e índice de liquidez.

Os municípios têm a possibilidade de receber quatro notas: A, B, C e D. As prefeituras que tiverem notas A e B, como foi o caso de Dourados em 2024, estão com a situação aprovada perante o Tesouro Nacional; notas C e D, além de prefeituras que não entregaram as informações fiscais e contábeis, estão impedidas de pedir empréstimos com aval da União, por exemplo.

O índice mede a saúde financeira de estados e municípios em relação à capacidade de honrar compromissos financeiros e obter garantias da União em empréstimos

Os números da prévia fiscal são parciais e indicam que as despesas correntes da Prefeitura de Dourados consumiram 91,84% das receitas (ver quadro abaixo). Em tese, sobraram mais de 8% das receitas para investimentos.

Ano passado, a gestão do então prefeito Alan Guedes (PP) arrecadou R$ 1,722 bilhão e teve gastos correntes de R$ 1,634 bilhão, com sobras de R$ 88 milhões para investimentos.

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Embora o saldo pareça pequeno, a cidade mantém certa folga sobre o valor de recursos próprios para investimentos na comparação com Campo Grande, por exemplo.

A capital, como divulgado ontem pelo MS em Brasília (ver aqui), gastou 98,70% das receitas com despesas correntes em 2024, cujo percentual de investimento ficou em 1,3 ponto percentual, seis vezes inferior ao de Dourados.

Gestão do então prefeito Alan Guedes (PP) arrecadou R$ 1,722 bilhão e teve gastos correntes de R$ 1,634 bilhão, com sobras de R$ 88 milhões para investimentos

O Tesouro Nacional considera “preocupante” quando a relação entre despesas e receitas atinja 95%.

“O comprometimento de 95% das receitas correntes com despesas correntes significa que um município está utilizando a maior parte de suas receitas para cobrir os gastos correntes, como salários e serviços, deixando pouco espaço para investimentos ou para lidar com imprevistos. Isso indica uma situação fiscal apertada, onde a margem de manobra para ações que promovam o desenvolvimento econômico e social é reduzida”, aponta trecho de análise do Tesouro Nacional sobre as contas de estados e municípios.

O bom desempenho das contas de Dourados em 2025, no entanto, dependerá do comportamento da arrecadação com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto Sobre Serviços), além de economia com os gastos correntes, entre os quais os da folha do funcionalismo.

“O comprometimento de 95% das receitas correntes com despesas correntes significa que um município está utilizando a maior parte de suas receitas para cobrir os gastos correntes, como salários e serviços, deixando pouco espaço para investimentos ou para lidar com imprevistos” — Trecho de alerta do Tesouro Nacional a municípios que gastam acima de 95% das receitas, o que não é o caso de Dourados

Em relação a pessoal, Dourados fechou 2024 com gastos de 52,46% da receita corrente líquida, no limite prudencial, que varia de 51% a 53,99%. A partir de 54% de comprometimento da RCL, o município passa a infringir dispositivos da Lei de Responsabilidade fiscal.

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Gestão privada

Apesar da situação fiscal aparentemente confortável, o prefeito Marçal Filho (PSDB) reclamou de ter recebido o município com dívidas de R$ 169 milhões para pagar no curto prazo. Em fevereiro, reuniu os secretários para tomar conhecimento da radiografia completa em todas as áreas.

Na conversa, o gestor destacou que a Prefeitura de Dourados está sendo gerida como uma empresa particular e que toda equipe tem obrigação de economizar nos gastos públicos para que as pessoas possam receber serviços públicos cada vez melhores do município. “Temos que mudar a mentalidade porque o dinheiro é público. Não podemos gastar de forma desordenada”, alertou.

“Temos que mudar a mentalidade porque o dinheiro é público. Não podemos gastar de forma desordenada” — Atual prefeito Marçal Filho

Explicou que a ideia do seu governo é respeitar o dinheiro do contribuinte. “Eu trouxe para o governo a mentalidade que sempre tive que é economizar, sou mão de vaca mesmo, não gasto um centavo antes de pensar e quero que vocês façam o mesmo nas suas secretarias”, determinou Marçal Filho, afirmando que a economia fará diferença na hora de o município oferecer serviços de melhor qualidade aos douradenses.

Tags: aprovadasCapagcontas públicasdespesas correntesdouradosex-prefeito alan guedesinvestimentosNota Bpoupança correnteprefeito marçal filhoprévia fiscalreceitas ajustadassituação controladaTesouro Nacional
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