BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE | LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
O MDB em Mato Grosso do Sul está determinado a impedir que a ministra Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento, dispute as eleições de 2026 no Estado. A auxiliar de Lula tem manifestado interesse em disputar uma das duas vagas ao Senado.
Tebet, contudo, não consegue sair às ruas no Estado devido ao seu alinhamento com Lula e o PT. A própria ministra já deu declarações nesse sentido. Se decidir enfrentar seu partido em Mato Grosso do Sul para sair candidata, terá campanha solitária e esvaziada de apoiadores.
Na prática, a ministra não teria o apoio de um único político com mandato, seja o próprio governador, que já tem compromissos assumidos com outros pré-candidatos ao Senado, prefeitos, deputados federais, deputados estaduais e vereadores. “A situação dela é muito difícil”, resume um emedebista.
Tebet não consegue sair às ruas no Estado devido ao seu alinhamento com Lula e o PT. A própria ministra já deu declarações nesse sentido
As aparições da ex-senadora são poucas no Estado. Ela tem sido vista somente na companhia do governador Eduardo Riedel (PSDB), em eventos e solenidades fechadas ao público. Em junho deste ano, Tebet foi vaiada ao discursar durante as comemorações de aniversário de Três Lagoas, cidade onde nasceu e surgiu para a política (ver aqui).
O MS em Brasília apurou que a Executiva Nacional até poderia exigir vaga à ex-senadora, mas emedebistas de Mato Grosso do Sul afirmam que essa possibilidade só causaria conflito no Estado, onde o partido já tem compromissos de alianças para 2026.
Há unanimidade na legenda de que Tebet escolheu estar com o PT e que a partir de agora deve “seguir seu caminho”, palavras ditas por um emedebista com mandato popular. “Ela se afastou dos anseios dos eleitores de Mato Grosso do Sul, que a elegeram senadora. Preferiu se aliar a um presidente a quem chamou de chefe de quadrilha”, acrescenta.
Há unanimidade na legenda de que Tebet escolheu estar com o PT e que a partir de agora deve “seguir seu caminho”
Simone Tebet tem aparecido entre os primeiros em pesquisas para o Senado, atrás dos possíveis pré-candidatos Reinaldo Azambuja (PSDB), Capitão Contar (PRTB) e Nelsinho Trad (PSD), mas fontes do partido ouvidas pelo MS em Brasília veem com naturalidade essa posição da ministra em razão da visibilidade nacional.
Apontam que “as vísceras dos candidatos aparecem durante a campanha eleitoral”, quando a ex-senadora terá que assumir apoio a Lula e ao governo do qual faz parte, além de ter que se explicar sobre declarações a respeito do caráter do presidente, incoerências que o eleitor não costuma engolir.
Outro obstáculo é o fato de a ex-senadora ser rejeitada por quase 60% dos eleitores ouvidos na última pesquisa do Instituto Ipems/Correio do Estado, divulgada semana passada pelo MS em Brasília (ver aqui).
Outro obstáculo é o fato de a ex-senadora ser rejeitada por quase 60% dos eleitores
Sem espaço
Além do próprio MDB, Simone não terá espaço no palanque de reeleição do governador Eduardo Riedel, que deverá trocar o PSDB pelo PP. Já o progressista deverá formar aliança com o PL, cujo comando passará às mãos do ex-governador Reinaldo Azambuja. É provável que, nessa futura aliança, as vagas ao Senado sejam preenchidas por Reinaldo e pelo senador Nelsinho Trad (PSD).
Diante de tantos empecilhos, outro emedebista sugere que a ministra procure novo domicílio eleitoral para se candidatar, como São Paulo. “Aqui não há espaço. Nem dentro do partido, que já tem aliança pré-formada para 2026, nem no conjunto da política estadual”, alerta.
O ex-governador André Puccinelli, por exemplo, já declarou que a ministra não terá respaldo da agremiação em Mato Grosso do Sul, posicionamento seguido pelos três deputados estaduais Junior Mochi, Márcio Fernandes e Renato Câmara e, provavelmente, pelo presidente estadual, o ex-senador Waldemir Moka, que sempre defendeu obediência às decisões coletivas do partido.
Diante de tantos empecilhos, outro emedebista sugere que a ministra procure novo domicílio eleitoral para se candidatar, como São Paulo
Sem o MDB, PP, PL, PSD e talvez União Brasil, a ministra Simone Tebet teria que subir no palanque do PT no Estado. “A Simone Tebet jamais terá mais que 20% de votos dos petistas. Pode ter um e outro voto na direita e outros no centro, insuficientes para se eleger ao Senado como ela bem sabe”, argumentam emedebistas.























