EDITORIAL
O ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (2015-2022) assumiu oficialmente o comando do PL no último domingo (21), em uma festa no Ondara Buffet, em Campo Grande.
O ato de filiação à legenda que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu muitos políticos de diferentes matizes, até mesmo os antibolsonaristas Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira, ambos deputados federais do PSDB.
Terminada a festa, Azambuja terá de lidar com o primeiro desafio: apaziguar os descontentes do PL, como o deputado estadual João Henrique Catan. No próprio domingo, o bolsonarista divulgou nota contra a filiação do ex-governador e, ao ser questionado pelo MS em Brasília sobre se deixaria o partido ou enfrentaria o novo presidente, não respondeu.
Azambuja terá de lidar com o primeiro desafio: apaziguar os descontentes do PL, como o deputado estadual João Henrique Catan
O fato é que Reinaldo herda um PL sem rumo em Mato Grosso do Sul. Desde a entrada de Bolsonaro, a legenda oscilou como biruta de aeroporto.
Deputados eleitos em 2022, como Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, além do vereador Rafael Tavares (Campo Grande) e do estadual Coronel David, nunca se acertaram. A sigla ficou sem direção, enquanto dirigentes anteriores cuidavam mais de projetos pessoais, como forçar a candidatura de esposas.
Alguns filiados tentam rotular Azambuja como “falsa direita”. O rótulo, bom que se diga, não se sustenta. O ex-governador, assim como o governador Eduardo Riedel (PP), a senadora Tereza Cristina (PP) e o ex-senador Waldemir Moka (MDB), mantêm vínculos antigos com Bolsonaro, desde os tempos em que eram deputados federais em Brasília. Antes da onda de 2018, já havia proximidade política.
O fato é que Reinaldo herda um PL sem rumo em Mato Grosso do Sul. Desde a entrada de Bolsonaro, a legenda oscilou como biruta de aeroporto
A disputa interna da direita sobre quem é “mais ou menos Bolsonaro” só interessa à esquerda, que torce pela fragmentação para facilitar um quarto mandato de Lula.
Outro ponto a resolver será o espaço ao ex-deputado Capitão Contar (PRTB). Para o Senado, o partido em si importa pouco, já que a eleição é majoritária, mas sua participação daria legitimidade à aliança de Reinaldo, Riedel e Tereza.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a candidatura desejada por Bolsonaro — a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira — dificilmente sairá do papel.
Dirigentes locais não querem correr o risco de a esquerda conquistar uma das duas vagas. Nesse cenário, a chapa com Reinaldo e Contar ganha força.
A disputa interna da direita sobre quem é “mais ou menos Bolsonaro” só interessa à esquerda
Por fim, paciência para costurar alianças será o caminho não apenas para o PL, mas para todos os partidos com projetos para 2026.
Reinaldo tem experiência. No PSDB, soube administrar conflitos internos durante anos, diálogo que levou os tucanos a comandar a maioria dos 79 municípios.
Não por acaso, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, veio de São Paulo especialmente para prestigiar sua filiação.
Aos que insistem no “biquinho político”, convém ter cautela: provocar conflitos dentro do próprio campo só enfraquece o jogo. Como resumiu uma fonte ao MS em Brasília: “O homem tem algo que ninguém pode lhe tirar: a liberdade de escolha.”
Aos que insistem no “biquinho político”, convém ter cautela: provocar conflitos dentro do próprio campo só enfraquece o jogo
Com as cartas já na mesa, tem início a temporada de rearranjos políticos. E a eleição, que bate à porta, não dará tempo para chiliques puerís.























