LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA | BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
A filiação do ex-deputado Capitão Contar ao PL, que deverá ocorrer ainda em novembro, passou pelo crivo das lideranças estaduais e nacionais da sigla. O convite avançou após articulações do presidente estadual, o ex-governador Reinaldo Azambuja, com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do partido.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Congresso e um dos políticos mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, também teve papel decisivo na formalização do convite a Contar. É ele quem mapeia o potencial político e eleitoral de possíveis pré-candidatos ao Senado da direita em 2026.
Em Mato Grosso do Sul, o partido aposta na eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja e agora de Capitão Contar. Por isso, a cúpula nacional trabalhou para atraí-lo do PRTB, onde ele concorreria novamente com poucos recursos, como ocorreu em 2022.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Congresso e um dos políticos mais próximos de Bolsonaro, também teve papel decisivo na formalização do convite a Contar
Trad e Simone
A entrada de Contar no PL tende a bloquear as pretensões de reeleição do senador Nelsinho Trad (PSD) e a enfraquecer o projeto da ministra Simone Tebet (MDB), que avalia disputar uma das vagas ao Senado.
Ambos enfrentam forte resistência entre eleitores de direita. Trad passou quase sete anos adotando posições ambíguas em pautas ideológicas e evitou confrontos diretos em momentos decisivos.
Simone Tebet, por sua vez, já declarou que fará campanha para Lula em 2026 em Mato Grosso do Sul. Dentro do próprio MDB, porém, enfrenta rejeição: lideranças estaduais, deputados, prefeitos e vereadores não pretendem apoiar sua candidatura.
A entrada de Contar no PL tende a bloquear as pretensões de reeleição do senador Nelsinho Trad e de pré-candidatura de Simone Tebet
Caso entre na disputa, a ministra pode acabar isolada, ou ser obrigada a subir no palanque de um eventual candidato do PT ao governo, movimento visto como contraditório por aliados, já que seu marido, Eduardo Rocha, atuou por anos em governos de Reinaldo Azambuja e agora de Eduardo Riedel, candidato à reeleição.
“Ladeira abaixo”
Uma fonte do MDB ouvida pelo MS em Brasília considera natural que o nome de Tebet apareça, neste momento, entre os quatro pré-candidatos mais lembrados nas pesquisas, devido à visibilidade nacional que possui.
Mas avalia que esse cenário tende a mudar na campanha, quando a ministra terá de explicitar seus projetos e o alinhamento com Lula e o PT.
“Aí é ladeira abaixo e não haverá movimento que a tire do atoleiro. Imagine Simone andando com Zeca do PT, Vander, Fábio Trad pelo Estado e na televisão de mãos dadas com Lula? Será um desastre”, prevê.
Caso entre na disputa, a ministra pode acabar isolada, ou ser obrigada a subir no palanque de um eventual candidato do PT ao governo
Quanto a outros possíveis concorrentes ao Senado, a avaliação é de que dificilmente surgirá um nome capaz de ameaçar o favoritismo de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. A senadora Soraya Thronicke (Podemos), por exemplo, enfrenta rejeição alta e é considerada fora do jogo, até mesmo para cargos proporcionais.























