LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Flagrada em compras numa loja de luxo em Orlando, nos Estados Unidos, na companhia do lobista Silvio Assis, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) corre o risco de responder a processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
Imagens divulgadas pelo portal Metrópoles mostram a parlamentar ao lado de Assis (ver aqui), acusado de pedir R$ 40 milhões a um grupo de empresários do setor de apostas esportivas para evitar que fossem convocados a depor na CPI das Bets — comissão que teve Soraya Thronicke como relatora.
Em dezembro de 2024, a revista Veja revelou que assessores parlamentares ligados à senadora têm vínculos familiares com Assis.
Silvia Barbosa de Assis, irmã de Silvio Assis, ocupava o cargo de assistente parlamentar no gabinete de Soraya Thronicke desde o ano anterior, com salário de R$ 7.200. Em abril de 2024, David Vinícius Oruê de Oliveira, genro de Silvio, foi contratado como auxiliar parlamentar, recebendo R$ 14 mil mensais.
O grau de proximidade entre a senadora e o lobista fica evidente no vídeo. Soraya acompanha Assis até o provador da loja e opina sobre uma peça de roupa que ele experimentava: “Tá linda!”, comentou a parlamentar.
O grau de proximidade entre a senadora e o lobista fica evidente no vídeo
No local, também estava o marido da senadora, o empresário Carlos César Batista, do ramo de motéis em Campo Grande. Ele aparece em uma das imagens mexendo no celular, aparentemente alheio à interação entre a esposa e o lobista.
Entre os atos incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar estão, por exemplo, receber vantagens indevidas (propinas e doações irregulares) e cometer irregularidades graves, como desviar recursos públicos ou usar o cargo para benefício pessoal ou de familiares.

Caso seja formalmente representada, Soraya poderá ser alvo de denúncia no Conselho de Ética do Senado, colegiado composto por 15 senadores titulares e 15 suplentes, atualmente presidido pelo senador Jayme Campos (União Brasil-MT).
A representação pode ser apresentada pela Mesa Diretora do Senado, por partidos com representação no Congresso Nacional ou pelo próprio Conselho de Ética. Dependendo da gravidade apurada, as penalidades vão de advertência à cassação do mandato.























