LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
O juiz Carlos Bismarck Piske de Azevedo Barbosa, do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Brasília, determinou a inclusão da advogada Raquelle Lisboa Alves no programa Viva Flor, mecanismo de proteção destinado a mulheres vítimas de violência doméstica no Distrito Federal.
A decisão atende a pedido do Ministério Público do Distrito Federal, após denúncia apresentada em 25 de janeiro pela esposa do ex-deputado federal Loester Carlos de Souza, conhecido como Trutis (PL).
O político está proibido de se aproximar da vítima, devendo manter distância mínima de 300 metros. Também está impedido de manter qualquer tipo de contato com Raquelle por telefone, aplicativos de mensagem, e-mail ou redes sociais.
Também não pode frequentar determinados locais para preservar a integridade física e psicológica da denunciante, como a Feira dos Importados, em Brasília, onde ela trabalharia.
O político está proibido de se aproximar da vítima, devendo manter distância mínima de 300 metros
Segundo o relato da advogada, os fatos que motivaram o pedido de proteção teriam ocorrido nos dias 14 e 15 de janeiro, na residência do casal, em Campo Grande (ver aqui).
De acordo com a denunciante, durante uma discussão, ela foi ofendida e informada pelo marido de que ele pretendia se divorciar, sob a alegação de que ela “não deixava nada dar certo” na vida dele.
No dia seguinte, ainda conforme a denúncia, a advogada teria sido novamente alvo de agressões verbais na frente dos filhos, sendo chamada de “louca” e “descontrolada”.
O ex-deputado também teria impedido que ela deixasse a residência com o filho do casal, afirmando que, caso a polícia fosse acionada, ela poderia ser presa sob acusação de agressão contra as crianças, alegando possuir gravações.
Além do bebê que está com Raquelle em Brasília, Trutis é pai de outros três filhos, do casamento anterior com a médica veterinária Reni Ayardes Melo. A guarda das crianças é compartilhada.
Os fatos que motivaram o pedido de proteção teriam ocorrido nos dias 14 e 15 de janeiro, na residência do casal, em Campo Grande
Como funciona o Viva Flor
O programa Viva Flor foi criado pelo Governo do Distrito Federal e permite que a vítima acione, por meio de aplicativo, atendimento emergencial das forças de segurança.
Integrado ao Sistema de Gestão de Ocorrências (SGO), operado pelo Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), o aplicativo emite alerta prioritário ao Centro de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (Copom).
Ao ser acionado, uma viatura é deslocada imediatamente ao local informado, com possibilidade de apoio do Corpo de Bombeiros Militar e da Polícia Civil do DF. A localização da vítima é identificada por tecnologia de georreferenciamento.
Condenações e processo criminal
O ex-deputado e a advogada foram condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por lavagem de dinheiro do fundo eleitoral nas eleições de 2022, em Mato Grosso do Sul (ver aqui).
Na ocasião, ambos receberam R$ 1 milhão cada da direção estadual do PL, totalizando R$ 2 milhões. Segundo o Ministério Público Eleitoral, R$ 776 mil teriam sido desviados por meio de empresas fantasmas, sem comprovação de prestação de serviços.
O ex-deputado e a advogada foram condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral por lavagem de dinheiro do fundo eleitoral nas eleições de 2022
Além disso, Trutis responde a processo relacionado ao atentado que afirmou ter sofrido em fevereiro de 2020. Investigações da Polícia Federal concluíram que a suposta tentativa de assassinato teria sido forjada pelo próprio parlamentar, com participação de seu então chefe de gabinete (ver aqui).
A denúncia foi recebida em agosto de 2022 por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal, mas o caso foi remetido à Justiça de Mato Grosso do Sul após o fim do foro privilegiado, já que o ex-deputado não se reelegeu (ver aqui).
No Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o processo tramita em segredo de Justiça e completará três anos sem decisão.























