LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Passa de 1,3 milhão o número de visualizações de um vídeo publicado há menos de quatro dias pelo site MS em Brasília em seu perfil no Instagram.
O material traz uma dura resposta de uma mãe de dois filhos à deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que defende o uso do termo “pessoas que gestam” (ver aqui).
Em pouco mais de dois minutos, a mulher — cujo nome a redação não conseguiu identificar, apesar de buscas nas redes — afirma estar indignada por ter sido, segundo ela, rebaixada à condição de “pessoa que gesta”.
“Não vou falar o nome, mas vocês vão saber de quem estou falando. Agora esse macho escroto, que se fantasia de mulher, tem a audácia de dizer que nós, mulheres — eu, por exemplo, sou mãe de dois filhos — somos pessoas que gestam. Não somos mães”, afirma no vídeo.
Mulher afirma estar indignada por ter sido, segundo ela, rebaixada à condição de “pessoa que gesta”
Apoio impressionante
Apesar do tom duro das críticas, a publicação não gerou grande controvérsia entre os internautas. Dos mais de 22 mil comentários registrados até o momento, apenas cerca de dez foram identificados como contrários à fala da mulher.
Um dos poucos posicionamentos divergentes foi publicado por Nathan Monteiro, que saiu em defesa da deputada:
“Assistam ao vídeo completo antes. Na verdade, @hilton_erika estava defendendo um direito das mulheres e apenas usou, entre outros termos, expressões como mulheres, meninas e pessoas que gestam. Acredito que, quando fala em ‘pessoas que gestam’, ela se refere às pessoas que vocês chamam de mulheres, mas que elas mesmas não se identificam como tal. E, na moral, o que vocês têm a ver com isso? A Erika Hilton apenas incluiu esse grupo no discurso. Em nenhum momento ela questionou a existência de mães, mulheres, avós ou filhas.”
O comentário recebeu pelo menos 26 respostas contrárias.
O perfil ianfitness5.4 desprezou o debate e sugeriu à deputada processar a autora do vídeo: “@hilton_erika espero que você a processe pela transfobia que essa mulher falou contra você e claro que envolve todas as mulheres trans e travestis”.
Entre os demais leitores, a grande maioria — segundo a própria plataforma — manifestou apoio ao posicionamento da autora do vídeo. Muitos afirmaram que Erika Hilton tem ocupado espaços que, segundo eles, deveriam ser destinados a mulheres biológicas, como a indicação para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados.
“Mil palmas para essa mulher. Lavou nossa alma. Fico triste quando vejo mulheres defendendo-o”, escreveu Vanessa Soares.
“A vida inteira sonhando em ser chamada de mamãe. Aí vem esse ser e diz que somos ‘pessoas que gestam’”, comentou Michelly Duarte.
Muitos afirmaram que Erika Hilton tem ocupado espaços que, segundo eles, deveriam ser destinados a mulheres biológicas
Outra internauta, Sara Luíza, também criticou a deputada: “Como mulher, eu me sinto humilhada pelo deputado @hilton_erika. Ele não me representa. Uma coisa é a pessoa se identificar de determinada forma e isso deve ser respeitado. Outra coisa é falar em nome de todas as mulheres”.
Homens apoiam
Entre os mais de 22 mil comentários, também há milhares de homens manifestando apoio ao vídeo. Um deles, identificado como Fonsecan, sugeriu que mulheres organizem uma marcha suprapartidária a Brasília para exigir que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher seja presidida por uma mulher biológica.
“É um absurdo”, concluiu, referindo-se ao fato de o colegiado ser presidido por uma mulher trans.
“Ser mãe é uma bênção que só a mulher é capaz de compreender. É o amor mais puro do mundo”, escreveu Alexandre Tenkof.
Danilo Rogatto acrescentou: “Por mais mulheres assim”, em referência à autora do vídeo viral.
“Ser mãe é uma bênção que só a mulher é capaz de compreender. É o amor mais puro do mundo”
Já Naldinho Bass criticou o que considera apropriação de funções femininas por mulheres trans: “Cadê as feministas? Tudo hipocrisia. Você, mulher, não pode permitir que um homem se coloque no seu lugar”.
Engajamento impressiona
Até as 10 horas desta segunda-feira (9), o vídeo publicado pelo perfil MS em Brasília havia alcançado 1,3 milhão de visualizações, cerca de 176 mil curtidas, mais de 22 mil comentários e perto de 30 mil compartilhamentos.
Outro lado
O MS em Brasília procurou a deputada Erika Hilton ontem pela manhã (8), por meio de mensagem enviada ao seu perfil no Instagram, para comentar a repercussão do vídeo. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.
OPINIÃO MS EM BRASÍLIA
O vídeo da mulher, que se identifica como mãe de dois filhos, tem o mérito de levar o debate sobre mulher e transexualidade para uma rede livre, sem censura.
O site se sente privilegiado por abrigar a discussão desse tema e manterá espaço aberto para debates sobre assuntos que precisam ser enfrentados por todos, sem exceção.
Pela primeira vez, muitas mulheres encontram espaço para se manifestar sobre o que consideram a ocupação de seus espaços por pessoas trans.
Na Câmara dos Deputados, há parlamentares trans que afirmam representar as mulheres, algo com o que grande parte delas não concorda, lembrando que o Brasil tem mais mulheres do que homens e que elas próprias devem falar por si.
É preciso, portanto, repensar o papel de cada ator na sociedade, sobretudo quando cargos como a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher passam a ser ocupados por uma deputada trans, enquanto a Câmara conta atualmente com 91 mulheres eleitas para o mandato de deputada federal, das quais 89 biológicas.























