POR ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
Neste domingo, o Santos completa quatro anos e cinco meses sem técnico de ponta, que se posicione entre os melhores do Brasil e da América do Sul. O último treinador situado nessa categoria foi Cuca, que acertou sua saída em 20 de fevereiro de 2021, não sem antes garantir vaga na Libertadores daquele ano.
De lá para cá, a relação de técnicos contratados pelo Santos provoca calafrios. Coincidentemente, nos últimos oito anos, os dois melhores treinadores foram trazidos por José Carlos Peres. Além de Cuca, o então presidente contratou Jorge Sampaoli, cujo trabalho o torcedor ainda se lembra até hoje.
Nesse período de quatro anos e cinco meses, o Santos teve no comando, além de nomes bizarros, auxiliares técnicos, como Marcelo Fernandes, Paulo Turra, César Sampaio e agora Cleber Xavier, que tenta se firmar na carreira de treinador. O ex-auxiliar de Tite parece ser ótima pessoa e profissional qualificado, mas ainda tem sérias deficiências para assumir clube do tamanho do Santos.
Nos últimos oito anos, os dois melhores treinadores foram trazidos por José Carlos Peres
O presidente Marcelo Teixeira não pode deixar o cavalo do argentino Juan Pablo Vojvoda passar encilhado e não o segurar. Colocará em risco a permanência do clube na primeira divisão, elenco com folha de pagamento milionária, certamente entre as seis mais altas da Série A.
Cleber Xavier teve tempo suficiente para preparar o Santos na parada do mundial de clubes. Mas nada mudou, conforme expusemos em nosso perfil no X (@actbrasilia), após a boa vitória contra o forte Flamengo.
Como dissemos, os três pontos deviam ser vistos com moderação porque o Santos não conseguiu jogar. Ficou 90 minutos acossado, sem saída de bola, sem trocar passes, vivendo de investidas do lateral Souza, de estocadas do Guilherme e do brilhantismo de Neymar, ainda aquém das suas condições físicas.
O presidente Marcelo Teixeira não pode deixar o cavalo do argentino Juan Pablo Vojvoda passar encilhado e não o segurar
Contra o Mirassol, no sábado, desastre completo. A realidade foi exposta ao vivo, para todo o Brasil. Xavier entrou com três mudanças desnecessárias. Afinal, ele tinha o time completo. Após a derrota vergonhosa por 3 a 0, em que o time não obrigou o veterano Walter a fazer uma única defesa, o técnico santista disse que as alterações foram por questões físicas. Não pode ser verdade!
Vejamos: o Santos deu 15 dias de férias ao elenco e depois treinou 20 dias antes de fazer seu primeiro jogo, contra o Flamengo. Fez uma única partida e já teve problemas físicos? Peraí! Vamos conversar direito.
O Flamengo chegou do mundial, treinou uma semana e jogou antes do Santos. Fez 2 a 0 no São Paulo. Time completo. Contra o Santos, a mesma formação, com uma mudança na defesa apenas. Não houve qualquer problema físico no elenco do clube carioca. Há algo errado. No Santos, claro.
Contra o Mirassol, no sábado, desastre completo. A realidade foi exposta ao vivo, para todo o Brasil
Enfim, os problemas maiores não foram esses e sim a formação estranha contra o Mirassol. Além de entrar com dois meias de pouca marcação, como Pituca e Zé Rafael (que andou em campo os 90 minutos), escalou dois laterais ofensivos. No meio, três jogadores lentos (Neymar, Barreal e Rolheiser) e apenas Guilherme na frente.
Com sete minutos de jogo avisei ao meu filho: vamos perder esse jogo. O time não marca, não briga pela bola, não se desmarca, não há aproximação, a saída de bola é confusa e lenta. Caos completo. Aos 20 minutos, tuitei: temos buraco no meio-campo. Se Xavier não mexer, vamos perder esse jogo.
No intervalo, o técnico teve a chance de fazer três mudanças, com as entradas de Rincón (que não deveria ter saído), Bontempo e Deivid Washington para dar liberdade de criação a Neymar. Não fez nada disso. Quando mudou, fez errado. Sacou o único jogador rápido do meio para frente, Guilherme, para colocar outro atleta de características lentas, Thaciano.
Com sete minutos de jogo avisei ao meu filho: vamos perder esse jogo
Virou miscelânea que nem Neymar conseguiu entender. Isso é grave. Quando alguém em campo pergunta ao técnico qual a função de um companheiro é porque isso não foi treinado. A entrada de Thaciano foi aposta sem treinamento. Veio o primeiro gol do Mirassol, quando Zé Rafael ficou prostrado, vendo o adversário entrar livre para marcar.
Se for mencionar todos os erros de ontem e dos últimos jogos, vamos escrever um livro e a intenção não é essa.
Portanto, cabe ao presidente Marcelo Teixeira a decisão de acertar com o argentino Vojvoda e, finalmente, após quatro anos e cinco meses ter no comando do clube treinador com histórico mínimo para estar no Santos.
Esperar o próximo jogo para mudar é flertar com o fracasso. Tínhamos defendido a troca de comando após o jogo contra o Fortaleza, diante dos últimos jogos, fracos taticamente.
Toda essa insegurança da diretoria faz-me lembrar de 2023, quando pedimos Rogério Ceni, desesperadamente, mas as Dez Pragas do Egito no Santos, Andrés Rueda, preferiu contratar Paulo Turra e depois Diego Aguirre. Ceni salvou o Bahia do rebaixamento, cuja situação era bem pior que a do Santos. Fica a dica.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
Perfil Twitter: @actbrasilia



























