ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
O Santos encerrou mais um ano marcado pelo martírio que assola o clube desde a chegada de Andrés Rueda à presidência, em 2021.
Ele assumiu um time que havia acabado de chegar à final da Libertadores, com vaga garantida na edição seguinte e um elenco praticamente todo pertencente ao clube: dos 33 jogadores, 32 eram santistas. O único que não pertencia ao Santos era Luan Peres, cuja compra já estava encaminhada e foi concluída.
Além disso, havia provisão financeira para cada centavo de dívida. O antecessor, José Carlos Peres, entregou uma equipe competitiva e ainda deixou mais de R$ 100 milhões em premiações.
O que ocorreu desde então é conhecido pelos santistas: Rueda inaugurou um período de derrotismo e fragilidade administrativa. Foram cinco anos de sofrimento, com o clube brigando contra o rebaixamento em todas as edições do Brasileirão.
Rueda inaugurou um período de derrotismo e fragilidade administrativa
Marcelo Teixeira assumiu em dezembro de 2023 com a missão de resgatar o orgulho ferido do clube de Pelé. Conseguiu certo sucesso, mas a um custo alto. Houve contratos mal elaborados e jogadores caros, negociações conduzidas pelo então diretor de futebol, Alexandre Gallo, um dos responsáveis pelo rebaixamento do Santos na gestão Rueda.
Em 2025, o presidente iniciou bem ao focar seu planejamento na contratação do técnico português Luís Castro. A negociação não avançou. Vieram o diretor Pedro Martins, ex-Botafogo, e o técnico Pedro Caixinha, que não conseguiu montar uma equipe competitiva.
Ambos não duraram muito. Assim, o Santos voltou a repetir erros da gestão Rueda: contratou mal e vendeu pior, perdendo ativos importantes como Jair, Lucas Barbosa e Luca Meirelles.
Marcelo Teixeira assumiu em dezembro de 2023 com a missão de resgatar o orgulho ferido do clube de Pelé
Em 2026, precisa se livrar definitivamente do fantasma de Rueda. Houve até quem atribuísse o período recente a algum “mal enterrado” na Vila. Nada disso: trata-se apenas da repetição dos mesmos erros administrativos.
Chegadas e saídas
O elenco precisa ser reformulado. Jogadores devem sair, e outros precisam chegar com critério.
Saídas necessárias, por posição:
Zagueiros: João Basso, Luisão e Luan Peres (tem mercado);
Volante: Rincón;
Atacantes: Tiquinho Soares, Thaciano, Lautaro Díaz, Caballero, Guilherme.
Gosto do futebol do Guilherme, mas acredito que ele precise de novos ares — e pode ser uma moeda de troca valiosa. São Paulo e Fluminense certamente terão interesse. Com o São Paulo, proporia uma troca direta por Ferreirinha.
Há, contudo, notícias de que o atacante pode estar acertando sua ida para a MLS. Nesse caso, o Santos pode se dar bem, uma vez que Guilherme deve ser mais valorizado que Thaciano ou Tiquinho.
Contratações pontuais e sem margem para erros. Veja a seguir:
Zaga: Pedro Henrique (RBB) ou Willian Machado (Ceará). Meu nome preferido, contudo, é Nino, ex-Fluminense, mas é negociação difícil;
Volante: Martinelli (Fluminense) — negociação difícil, mas viável com boas moedas de troca: Guilherme, Basso, Luisão;
Meias: Pochettino (Fortaleza) e Cauly (Bahia);
Ataque: Erick, atualmente emprestado pelo São Paulo ao Vitória;
Centroavante: Gabriel Taliari (Juventude) e André Silva (Elche). O português chegaria para ser titular imediato e camisa 9, com potencial para grande impacto no Brasil.
O Santos possui boas moedas de troca: Luan Peres, Luisão, Basso, Rincón, Thaciano, Tiquinho, Caballero e o já citado Guilherme.
Brazão e Souza
Se o Flamengo realmente quiser Gabriel Brazão, o Santos não pode aceitar menos que 20 milhões de euros. “Ah, mas é goleiro.” E daí? Valor de mercado não depende só da posição. O clube ainda pode pedir Everton Cebolinha e Wallace Yan como parte do acordo.
Com Souza, o raciocínio é o mesmo: não pode sair por menos de 25 milhões de euros — ainda que seja lateral.
Chega de entregar jogadores promissores a preço de banana, como se viu reiteradamente na gestão Andrés Rueda.
O clube também precisa parar de pensar em ex-Meninos da Vila, como Alan Patrick, Gabriel, Ganso, Tiago Maia, Crispim, Veríssimo. Único que tinha espaço reservado já está aqui: Neymar.
Proposta de elenco para 2026
Titulares:
Brazão; Igor, Pedro Henrique (Willian Machado), Frías e Souza; Martinelli, Arão, Pochettino e Cauly; Neymar e André Silva.
Suplentes imediatos:
Diógenes; Maike; Willian Machado (Pedro Henrique), Zé Ivaldo, Alexis Duarte; Vinicius Lira, Escobar; Schmidt, Zé Rafael, Bontempo, Rollheiser; Barreal, Robinho Jr., Erick, Taliari e jovens da base.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
Perfil Twitter: @actbrasilia
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