BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE | LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Campo Grande se aproxima de 1 milhão de habitantes, mas ainda é administrada como uma cidade de porte muito menor. Após uma década marcada por instabilidade política e fragilidades na gestão, a capital sul-mato-grossense ocupa apenas a 71ª posição no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2025.
Com 53,89 pontos de um total de 100, Campo Grande ficou quase dez pontos atrás de Florianópolis, que lidera o ranking, seguida de Vitória (62,32) e São Paulo (61,47).
O levantamento, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), avaliou 418 cidades com base em 65 indicadores distribuídos em 13 pilares, como sustentabilidade fiscal, qualidade da saúde e da educação, segurança, infraestrutura e dinamismo econômico.
Após uma década marcada por instabilidade política e fragilidades na gestão, a capital ocupa apenas a 71ª posição
Apesar de apresentar bons indicadores de qualidade de vida, Campo Grande enfrenta dificuldades para atrair grandes investimentos e diversificar sua economia, ainda fortemente dependente do comércio.

Com baixa capacidade de investimento próprio, o município segue dependente de recursos estaduais e federais para obras de infraestrutura, manutenção de serviços públicos e valorização de profissionais, como os da educação.
O cenário atual é resultado de sucessivas gestões problemáticas. A partir de 2013, sob a administração de Alcides Bernal, acusado pelo assassinato do auditor estadual Roberto Carlos Mazzini, a cidade passou por instabilidade política e disputas judiciais que comprometeram o planejamento de longo prazo.
Na sequência, a gestão iniciada em 2017, sob Marquinhos Trad (PV), assumiu com forte apoio popular e o compromisso de reorganizar a cidade. No entanto, foi marcada por políticas de caráter populista, obras sem planejamento adequado e irregularidades apontadas por investigações, como a Operação Cascalho de Areia.
O cenário atual é resultado de sucessivas gestões problemáticas
Mesmo após a reeleição, o modelo de gestão manteve elevado comprometimento da receita com despesas obrigatórias, levando o município a um cenário fiscal crítico em 2021, quando esteve à beira da insolvência, conforme dados do Tesouro Nacional (ver aqui).
Desde 2022, com a renúncia de Trad para disputar o governo do Estado, Adriane Lopes assumiu a prefeitura com o desafio de reorganizar as contas públicas, já pressionadas por despesas elevadas e baixa capacidade de investimento.
Apesar do discurso de gestão técnica e responsável, os resultados da atual administração ainda são limitados, e a cidade segue com dificuldades estruturais para retomar o crescimento econômico.
Apesar do discurso de gestão técnica e responsável, os resultados da atual administração ainda são limitados
Contratações temporárias
Nos bastidores, fatores políticos também são apontados como entraves à gestão. Decisões administrativas e articulações internas têm sido alvo de críticas e levantam questionamentos sobre a condução da máquina pública.
Recentemente, a contratação de cerca de mil funcionários temporários, em período próximo ao eleitoral, gerou dúvidas sobre a real finalidade das admissões.
Procurada pela reportagem do MS em Brasília, a Prefeitura afirmou que o processo seletivo foi aberto para reposição de vagas e que segue os princípios da legalidade, impessoalidade e transparência.
No entanto, chama atenção que apenas seis pessoas concentrem a responsabilidade pela seleção, diante de mais de 6 mil inscritos.
A administração acrescentou que o município não participa do processo eleitoral. Ainda assim, o cenário envolve agentes públicos com vínculos políticos, como a tentativa de reeleição do deputado estadual Lidio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes (Avante).





















