BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
A deputada federal Camila Jara (PT-MS) afirmou que a saída do PT da base de apoio ao governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), na Assembleia Legislativa, ocorreu em razão de uma “traição” do progressista.
As declarações foram dadas ao site Primeira Página.
Embora Jara não tenha dito abertamente, o rompimento foi motivado pelo posicionamento de Riedel contrário à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — o que irritou petistas no Estado (ver aqui).
Na Assembleia Legislativa de MS (ALMS), o PT tem apenas três deputados estaduais, uma bancada considerada pequena e incapaz de impor dificuldades ao governo em votações de projetos de interesse do Executivo.
PT tem apenas três deputados estaduais, uma bancada considerada pequena e incapaz de impor dificuldades ao governo em votações de projetos
Outro ponto de atrito foi a migração de Riedel, em agosto, do PSDB para o PP, partido da senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, o que ampliou o mal-estar com os petistas.
“Eu nunca defendi que estivéssemos no governo, mesmo tendo apoiado o Riedel. Tenho diferenças pontuais em relação ao governo dele. Isso não significa que não podemos fazer alianças em alguns momentos. Eu sempre defendi que a gente não estivesse no governo Riedel por entender que nós temos e defendemos projetos diferentes de sociedade. Agora eu entendo, eu imputo essa saída do PT como um todo do governo Riedel a uma traição”, declarou a deputada ao Primeira Página.
A deputada ressaltou ainda que o apoio inicial ao governador se deu porque ele representava, à época, um contraponto democrático a Capitão Contar (PRTB), adversário de Riedel no segundo turno de 2022.
“Agora ele dá essa guinada para a extrema direita e se iguala ao Capitão Contar em termos de políticas públicas e discurso”, completou.
Agressão a Nikolas
Nessa mesma entrevista ao Primeira Página, Jara voltou a negar ter agredido o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apesar da existência de imagens que mostram o episódio.
A confusão ocorreu durante a retomada do controle do plenário da Câmara dos Deputados. Jara afirmou que houve apenas um “empurra-empurra” e que pode ter afastado Nikolas, fazendo com que ele se desequilibrasse.
Jara voltou a negar ter agredido Nikolas Ferreira, apesar da existência de imagens que mostram o episódio
Ao Política de Primeira, ela deu sua versão:
“Eu consegui chegar com duas companheiras à Mesa Diretora. Pedi licença várias vezes ao deputado Nikolas, mas eles fizeram uma barreira e não deixaram a gente passar. Quando o Hugo terminou a fala, o Nikolas vai bater palma, ele meio que me empurra, e aí reajo ao empurrão. Não sei o que aconteceu, se ele se desequilibrou, mas logo fez essa acusação. Eu disse que isso não aconteceu e que resolveríamos”.
As imagens, porém, contradizem o relato. Reportagem do MS em Brasília mostrou o vídeo completo, em que Nikolas aparece de costas para Jara, sem qualquer reação ou diálogo com ela (ver aqui e aqui). No fim da sessão, enquanto alguns deputados aplaudem a decisão de Hugo Motta, Jara desfere um soco no colega, que cai em seguida.























