LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA | BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
Um dos casais mais misteriosos da política sul-mato-grossense, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ex-chefe da Casa Civil do Estado, Eduardo Rocha, ambos do MDB, têm objetivos eleitorais semelhantes para 2026 e enfrentam obstáculos igualmente relevantes.
Ela pretende disputar uma vaga ao Senado; ele, uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ambos, porém, esbarram na mesma dificuldade: a falta de respaldo do MDB em Mato Grosso do Sul.
No caso da ministra, o recado do partido no Estado já foi dado. Simone Tebet não deverá contar com palanque local, uma vez que manifestou intenção de pedir votos para a reeleição do presidente Lula.
Tebet não deverá contar com palanque local, uma vez que manifestou intenção de pedir votos para a reeleição de Lula
A cúpula estadual do MDB tem acordo para apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), cujo palanque tende a ser ocupado por um candidato alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo Rocha, por sua vez, pediu demissão da Casa Civil em final de outubro e passou a percorrer o Estado em busca de viabilidade política. Ele sabe que a rejeição enfrentada pela esposa tende a respingar diretamente em sua candidatura, o que dificulta a disputa por uma das 24 vagas de deputado estadual.
Além disso, sua saída do governo expôs uma passagem discreta por um dos cargos mais estratégicos da administração estadual. O sucessor, Walter Carneiro Júnior, o Waltinho, assumiu a função e, em poucas semanas, sinalizou uma atuação mais ativa, alimentando críticas internas ao secretário anterior.
Rocha sabe que a rejeição enfrentada pela esposa tende a respingar diretamente em sua candidatura
Sem palanque para Simone Tebet, Eduardo Rocha também tende a ficar isolado em um eventual agrupamento político liderado por Eduardo Riedel (PP), Reinaldo Azambuja e lideranças bolsonaristas como Capitão Contar (PL), além da senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP.
Fontes do MDB apontam para um possível embate entre a ministra e a direção estadual do partido. Internamente, Simone Tebet é vista como alguém que prioriza projetos pessoais, mesmo quando isso contraria decisões coletivas.
Percepção reforçada por episódios como a imposição de sua candidatura à Presidência da República em 2022 e a desistência da disputa ao governo do Estado em 2018, após ter sido referendada em convenção partidária.
Simone Tebet é vista como alguém que prioriza projetos pessoais, mesmo quando isso contraria decisões coletivas
Ainda que consiga apoio da executiva nacional do MDB para disputar o Senado, Simone Tebet poderá enfrentar dificuldades práticas. A direção nacional até poderia garantir a vaga na chapa, mas não teria como impor palanque local.
Nesse cenário, restaria à ministra associar-se diretamente ao palanque de Lula, o que exporia sua candidatura em um Estado onde o PT enfrenta forte rejeição.
Vivendo separados há mais de uma década, Simone Tebet e Eduardo Rocha podem acabar politicamente reunidos a partir de 2027, caso ambos fracassem nas urnas.
Se apenas um deles vencer, a rotina seguirá como nos últimos anos: trajetórias distintas, agora sob o mesmo campo político, alinhado ao governo Lula e à esquerda. Ou mesmo alijados do jogo eleitoral.























