ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
Clubes de futebol convivem rotineiramente com erros em contratações — seja por má-fé de dirigentes, incompetência ou simples falta de análise mais criteriosa.
O Santos não foge à regra e, desde 2021, em especial, mantém uma trajetória em que erra muito mais do que acerta no mercado. É possível afirmar que cerca de dois terços dos reforços trazidos nesse período não entregaram o esperado.
Com vistas a 2026, a gestão de Marcelo Teixeira já começará a dar algum rumo ao clube se resistir à tentação de contratar o atacante Gabriel Barbosa, o Gabigol. Trata-se de um jogador caro, pouco produtivo nos últimos anos e que, desde a saída da Vila Belmiro, demonstrou reiteradas vezes não respeitar o Santos.
A este colunista, contudo, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, negou que haja interesse na contratação do atleta cruzeirense, ex-Menino da Vila, que se destacou no Flamengo.
Desde 2021, em especial, o Santos mantém uma trajetória em que erra muito mais do que acerta no mercado
Se alguém no clube acredita que Gabigol possa contribuir pelo “fator extracampo”, convém refazer a análise. Esse tipo de influência só existe quando há desempenho dentro de campo. Caso contrário, a contratação tende a ser um tiro no pé. Hoje, Gabriel apresenta preparo físico de atleta em fim de carreira, com desempenho incompatível com o alto investimento que exige.
O atual elenco santista, especialmente do meio para frente, já sofre com excesso de jogadores de toque lento, baixa intensidade e pouca agressividade. A chegada de Gabigol apenas agravaria esse problema. Chega!
Em artigo anterior (ver aqui), sugeri alternativas viáveis para o ataque, como Everton Cebolinha (Flamengo) e Erick (São Paulo, que esteve emprestado ao Vitória), além dos centroavantes Rafael Taliari (Juventude) e o português André Silva, cujo contrato com o Elche, da Espanha, se encerra em junho. São nomes que apontam para um mercado mais racional do que concentrar todos os esforços em Gabriel Barbosa.
Gabriel apresenta preparo físico de atleta em fim de carreira, com desempenho incompatível com o alto investimento que exige
Também indiquei reforços defensivos, como o zagueiro Nino, ex-Fluminense — embora caro —, além de opções mais acessíveis, como Pedro Henrique (RB Bragantino) e William Machado (Ceará). Para isso, o Santos precisaria dar destino a Luisão e João Basso.
Nas laterais, inicialmente não fiz sugestões por entender que Maike permaneceria. Contudo, diante da tentativa de acordo para rescindir um contrato mal elaborado, a contratação de Mancuso, do Fortaleza, seria excelente. Ele poderia dividir a posição com Igor Vinícius, formando uma lateral com características complementares.
Na esquerda, caso Souza não seja negociado — e, se for, que seja por pelo menos 20 milhões de euros —, basta manter o elenco atual, promovendo o bom Vinícius Lira.
Em artigo anterior, sugeri alternativas viáveis para o ataque, como Everton Cebolinha e Erick, além dos centroavantes Rafael Taliari e o português André Silva, cujo contrato com o Elche, da Espanha
Para a cabeça de área, sugeri Martinelli (Fluminense), nome difícil, mas há opções mais realistas, como Dieguinho (Ceará) e Lima (Fluminense), cujo contrato se encerra no próximo dia 31. Também citei Pochettino (Fortaleza) e Cauly (Bahia), embora o primeiro enfrente questionamentos físicos.
O fato é que 2026 pode começar de forma mais promissora para o Santos se a contratação de Gabigol ficar apenas no campo da especulação. Isso já seria um alento para o torcedor, cansado de ver o clube gastar muito com jogadores que entregam pouco — ou quase nada — em campo.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
Perfil Twitter: @actbrasilia
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