LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA | BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
Alijada da política em Mato Grosso do Sul após aderir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), afirmou na última sexta-feira (30) que seu destino político em 2026 “está nas mãos do presidente Lula”.
Ela confirmou que deixará o governo até 31 de março, prazo limite para desincompatibilização de cargos públicos por pré-candidatos nas próximas eleições.
Em meio às especulações sobre uma possível candidatura ao governo de São Paulo, Simone disse que tratou com Lula apenas sobre uma eventual disputa ao Senado, mas adiantou que a decisão final deverá ser tomada antes do carnaval.
A ministra Simone Tebet (MDB) afirmou na última sexta-feira (30) que seu destino político em 2026 “está nas mãos do presidente Lula”
A ministra voltou a se colocar integralmente à disposição do petista, a quem chamou, em 2022, de mentor dos esquemas do mensalão e do petrolão (ver aqui) — postura que não adotou nem mesmo em relação ao MDB de Mato Grosso do Sul.
Em 2018, ela abandonou a candidatura ao governo do Estado depois de ter o nome aprovado em convenção partidária. Uma semana após a homologação, anunciou oficialmente a desistência (ver aqui).
À época, alegou motivos familiares, sem esclarecer as razões reais da renúncia. A saída abrupta causou graves danos ao MDB, que precisou alterar toda a estratégia eleitoral às pressas para seguir na disputa.
A ministra voltou a se colocar integralmente à disposição do petista, a quem chamou de mentor dos esquemas do mensalão e do petrolão
O partido acabou sofrendo a maior derrota de sua história em Mato Grosso do Sul: perdeu o governo, o Senado — com a não reeleição do então senador Waldemir Moka —, além de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
O troco à emedebista veio nos últimos anos. Lideranças do MDB no Estado anunciaram oficialmente que não apoiariam Simone Tebet em nenhuma disputa local. As portas para a agora aliada de Lula foram fechadas (ver aqui, aqui e aqui).
Mesmo que a Executiva Nacional do MDB lhe conceda uma vaga para disputar o Senado por Mato Grosso do Sul, dirigentes estaduais avisam que Simone terá de fazer campanha de forma isolada, sem o apoio de figuras como o ex-governador André Puccinelli, o ex-senador Waldemir Moka, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.
Lideranças do MDB no Estado anunciaram oficialmente que não apoiariam Simone Tebet em nenhuma disputa local
Mudança de domicílio
Em janeiro de 2023, o MS em Brasília antecipou que o caminho político de Simone Tebet seria a mudança de domicílio eleitoral para São Paulo (ver aqui). A explicação é direta: a própria ministra declarou à imprensa que, em Mato Grosso do Sul, não se elegeria “nem a síndica do prédio onde morava” — avaliação que se confirmou na prática.
Pesquisas recentes para o Senado colocam Simone em quarto ou quinto lugar (ver aqui e aqui) atrás do ex-governador Reinaldo Azambuja, do ex-deputado Capitão Contar, ambos do PL, e do senador Nelsinho Trad (PSD).
A leitura predominante é de que Simone Tebet perdeu completamente o apoio popular no Estado. Em abril de 2025, por exemplo, foi vaiada durante solenidade alusiva ao aniversário de sua cidade natal, Três Lagoas (ver aqui).
Em janeiro de 2023, o MS em Brasília antecipou que o caminho político de Simone Tebet seria a mudança de domicílio eleitoral para São Paulo
Atualmente, a ministra evita contato direto com o público. Suas visitas a Mato Grosso do Sul se restringem a eventos fechados, ligados ao governo estadual, como anúncios de obras e projetos, sem interação popular (ver aqui e aqui).























