CAMPO GRANDE
O clima no MDB de Mato Grosso do Sul é de distanciamento em relação à ministra do Planejamento e Orçamento e filiada histórica do partido, Simone Tebet.
Lideranças da sigla no Estado têm afirmado publicamente que a ex-senadora perdeu força interna desde que passou a integrar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As informações são do portal Campo Grande News.
O aviso é bem claro: independentemente da decisão que ela tomar para as eleições de 2026, candidatura ao Senado ou mesmo eventual candidatura a vice ao lado do presidente, a sigla não pretende caminhar com o PT.
Em conversas com deputados estaduais do MDB, a avaliação é unânime: a aliança com o governo federal tornou Tebet distante da base tradicional do partido no estado.
A aliança com o governo federal tornou Tebet distante da base tradicional do partido no estado
Historicamente adversário do PT em Mato Grosso do Sul, o MDB local já sinaliza que não pedirá votos para Simone e Lula em 2026 e que pretende reforçar a sua posição como oposição no Estado.
Esse isolamento da ministra ocorre num momento estratégico para o MDB nacional, que articula a formação de uma federação partidária com o Republicanos e o PSDB.
O arranjo, que precisa estar fechado antes do próximo pleito, obrigaria os partidos a atuarem em conjunto, tanto na corrida eleitoral quanto no Congresso.
Menos de duas semanas atrás, a ministra foi vaiada em discurso no aniversário de Três Lagoas, cidade onde ela nasceu, cresceu e formou família. A manifestação do público causou desconforto às autoridades presentes à solenidade, como a senadora Tereza Cristina (PP).
Historicamente adversário do PT em Mato Grosso do Sul, o MDB local já sinaliza que não pedirá votos para Simone e Lula em 2026
Perdeu a força
“A nível nacional, a tendência do partido é ter essa federação com Republicanos e PSDB, que não tem nada a ver com o governo Lula. Essa federação, com certeza, não vai estar com a candidatura do presidente”, afirma o deputado estadual Júnior Mochi (MDB), que milita há mais de quatro décadas na legenda.
Segundo ele, Simone Tebet, que pretende seguir ao lado do presidente da República na próxima eleição, perdeu espaço na legenda estadual e agora precisa primeiro dizer qual será seu caminho antes que o MDB local tenha qualquer definição oficial.
“Em relação ao diretório estadual, ela perdeu um pouco de força em função desse posicionamento. Ao longo dos anos, o MDB teve posicionamento contra o PT. O MDB do Norte e Nordeste é uma coisa, do centro sul, e Sul é outra. Então havia essa divergência, sempre houve essa discussão, e nós aqui nunca tivemos um posicionamento junto ao Lula, nosso posicionamento sempre foi um posicionamento contrário”, reforçou Mochi.
Menos de duas semanas atrás, a ministra foi vaiada em discurso no aniversário de Três Lagoas, cidade onde ela nasceu, cresceu e formou família
“De jeito nenhum”
Outros parlamentares reforçam o tom de rejeição. Renato Câmara (MDB) lembra que o diretório estadual nunca foi formalmente consultado por Tebet sobre suas intenções e que qualquer decisão precisaria ser amadurecida.
“Essas possibilidades que foram colocadas da Simone não são possibilidades que a própria Simone colocou para o diretório ainda. Então isso são especulações que a imprensa vem fazendo ou falando, mas assim, dentro do diretório não teve nenhum comunicado, uma intenção comunicada oficialmente nas nossas reuniões do diretório”, disse o parlamentar.
Apesar de pontuar que as conversas sobre as possibilidades de candidaturas da ministra Simone Tebet ainda precisam ser discutidas internamente, Renato Câmara é enfático ao reforçar que o MDB não compõe o mesmo grupo do PT.
“Em relação ao diretório estadual, ela perdeu um pouco de força em função desse posicionamento” — Deputado estadual Junior Mochi
“Aqui no Estado, historicamente, nós sempre enfrentamos o PT. Desde a época do surgimento, desde a época de Barbosa Martins, depois Marcelo Miranda, Ramez Tebet, André Puccinelli, nós sempre enfrentamos como oposição ao PT. Então, na nossa essência, nós temos uma ideologia mais, vamos se dizer, uma ideologia mais centro, mas ao mesmo tempo conservadora”, disse.
Márcio Fernandes (MDB) é ainda mais enfático em demonstrar sua aversão pelo Partido dos Trabalhadores: “Eu não peço voto para o PT de jeito nenhum. A gente tem ouvido ela falar na imprensa que continuaria com o Lula, mesmo não sendo candidata. É uma decisão pessoal dela, tem todo o direito, mas a grande maioria que eu vejo aqui do MDB daqui não quer proximidade com o Lula, não quer proximidade com o PT”, ressaltou.
“Eu não peço voto para o PT de jeito nenhum. A gente tem ouvido ela falar na imprensa que continuaria com o Lula, mesmo não sendo candidata” — Deputado estadual Márcio Fernandes
Sem palanque
O MS em Brasília apurou também que Simone Tebet teria legenda no partido para disputar uma das duas vagas ao Senado, mesmo contra a vontade da cúpula e dos filiados da legenda no Estado.
No entanto, a ministra não teria espaço no “palanque” do MDB e estaria alijada da possível campanha de reeleição do governador Eduardo Riedel (PSDB), além de enfrentar a possível concorrência do deputado federal Vander Loubet (PT), que tem pretensões de disputar o Senado em 2026.
“Legenda ela teria porque a executiva nacional imporia o nome dela por ser ministra, mas seria uma candidatura quase avulsa, isolada do ponto de vista de apoio dentro e fora do MDB”, observou fonte ouvida pelo MS em Brasília.
A ministra não teria espaço no “palanque” do MDB e estaria alijada da possível campanha de reeleição do governador Eduardo Riedel
Desde que assumiu o ministério, Tebet mantém-se discreta sobre os próximos passos eleitorais. Ela ainda não declarou oficialmente se pretende concorrer novamente ao Senado, mudar de legenda para viabilizar um projeto pessoal ou mesmo apostar num convite para compor a chapa presidencial de Lula.
A ministra foi procurada pela reportagem do Campo Grande News para comentar a situação e sobre a definição de seu futuro político, tendo em vista as eleições do próximo ano, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto.
Com informações do portal Campo Grande News























