BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE | LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
O fim da janela partidária em Mato Grosso do Sul foi marcado pela movimentação de lideranças que, embora eleitas com apoio da direita, mantêm alinhamento com o governo do presidente Lula em Brasília.
O movimento revela uma convivência pragmática dentro do próprio campo político. Partidos de perfil mais à direita passaram a abrigar figuras que atuam em sintonia com a base governista no Congresso Nacional.
O PP, por exemplo, comandado pela senadora Tereza Cristina, recebeu o deputado federal Dagoberto Nogueira, que construiu sua trajetória eleitoral com apoio desse segmento, mas adota postura alinhada ao governo quando este está no poder.
O PP, por exemplo, comandado pela senadora Tereza Cristina, recebeu o deputado federal Dagoberto Nogueira
Já o União Brasil, sob o comando de Rose Modesto, incorporou nomes ligados ao PT no Estado. Além da própria presidente da legenda, que comandou a Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) na gestão Lula, filiaram-se o deputado federal Geraldo Resende e o empresário Carlos Bernardo, com atuação no setor educacional na região de fronteira com o Paraguai.
Bernardo está inelegível, embora sustente possuir certidões que lhe permitiriam disputar uma vaga na Câmara Federal. Em 2022, ainda no MDB, teve os votos anulados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que impactou diretamente o desempenho da legenda. Após passagem pelo PT, agora migra para o União Brasil.
Com base eleitoral em Dourados, Geraldo Resende deixou o PSDB diante do enfraquecimento da sigla, o que dificultaria sua reeleição. Assim como Dagoberto, manteve atuação alinhada ao governo Lula nos últimos anos, repetindo um padrão cada vez mais comum: parlamentares eleitos por partidos de direita, mas próximos à base governista em Brasília.
Com base eleitoral em Dourados, Geraldo Resende deixou o PSDB diante do enfraquecimento da sigla, o que dificultaria sua reeleição
A ausência de Rose, Dagoberto e Geraldo na recepção, ontem à noite (9), ao pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro, reforça o distanciamento do grupo em relação ao campo político da direita.
O parlamentar participou da abertura da Expogrande ao lado do governador Eduardo Riedel e dos pré-candidatos ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
O União Brasil também recebeu o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Jerson Domingos, figura conhecida da política estadual e denunciada à Justiça por envolvimento com jogo do bicho e organização criminosa.
Ausência de Rose, Dagoberto, Geraldo e Beto Pereira (Republicanos) na recepção ao pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro
Mais mudanças
No PSDB, a saída de nomes com proximidade ao governo federal foi significativa. Deixaram a sigla Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Beto Pereira, que se filiou ao Republicanos.
O MDB, por sua vez, perdeu dois de seus três deputados estaduais. Márcio Fernandes migrou para o PL, partido liderado no Estado por Reinaldo Azambuja, e Renato Câmara para o PSDB.
Junior Mochi permanece na legenda, que também contará com o ex-governador André Puccinelli na disputa por vagas na Assembleia Legislativa.
As saídas surpreenderam o presidente estadual do MDB, o ex-senador Waldemir Moka. A expectativa interna era não apenas reeleger os atuais parlamentares, mas ampliar a bancada com a possível eleição de novos nomes.
No PSDB, a saída de nomes com proximidade ao governo federal foi significativa
O rearranjo partidário expõe um desalinhamento entre discurso eleitoral e prática parlamentar. Nas urnas, caberá ao eleitor observar esse movimento e definir se referenda ou rejeita esse tipo de posicionamento.
O voto segue como o principal instrumento de correção de rota, já que, uma vez eleitos, parlamentares raramente são substituídos fora das hipóteses legais de cassação.






















