LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Com a possibilidade de fusões e reorganização dos partidos em federações partidárias, o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (2015-2022) está perto de trocar o PSDB pelo PL — movimento feito nos últimos meses pela maioria dos tucanos em vários estados, como São Paulo, Paraná, Pernambuco, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Apesar de as negociações com a cúpula do Partido Liberal em Brasília estarem praticamente concluídas, o ex-governador “prefere não se antecipar aos fatos”, como afirmou ao MS em Brasília com a habitual discrição.
Também desconversou quando questionado se irá presidir o PL em Mato Grosso do Sul, mas negou que haja mal-estar no partido que, segundo ele, já era consolidado no Estado antes mesmo da filiação de Bolsonaro.
“Não existe isso. O ex-presidente Bolsonaro sabe quem são seus aliados em Mato Grosso do Sul. Nós nos conhecemos há muitos anos, desde quando fomos deputados federais juntos em 2011. Sempre damos suporte um ao outro. Brigamos por ele aqui e quando precisamos, ele também nos estende a mão”, explica.
“O ex-presidente Bolsonaro sabe quem são seus aliados em Mato Grosso do Sul” — Reinaldo Azambuja, ex-governador
Reinaldo conta que a aproximação do ex-presidente com o agronegócio passou também pela articulação de políticos do Estado, como ele próprio, o governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o ex-senador Waldemir Moka (MDB).
“Somos sempre muito fortes no Senado e na Câmara. E o então candidato a presidente em 2018, o deputado Jair Bolsonaro, sabia da nossa atuação em defesa do produtor brasileiro”, destaca, lembrando a escolha da então deputada eleita Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura do governo Bolsonaro.
Além de Reinaldo, é bem provável que o PSDB perca o governador Eduardo Riedel para o PP, partido da senadora Tereza Cristina e do deputado Dr. Luiz Ovando, e os três deputados federais Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende para outras siglas, como o Republicanos.
Além de Reinaldo, é bem provável que o PSDB perca o governador Eduardo Riedel para o PP, partido da senadora Tereza Cristina e do deputado Dr. Luiz Ovando
Espólio tucano
Há ainda conversas adiantadas para filiações de deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores ao PL, fortalecendo a legenda com vistas às eleições presidenciais e estaduais do próximo ano. O objetivo é fazer com que a legenda de Bolsonaro herde o espólio dos tucanos em Mato Grosso do Sul.
O ex-governador, que é pré-candidato ao Senado no próximo ano, tem conversado com dirigentes de vários partidos, como o deputado federal Valdemar da Costa Neto (SP), presidente do PL, e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, sobre as movimentações ocorridas em todo o país.
“Com as fusões e federações, as movimentações têm sido constantes. Temos um partido consolidado em Mato Grosso do Sul, que é o PSDB, mas desidratado nacionalmente. Daí a necessidade de nos adaptar ao atual cenário para que possamos ser competitivos em 2026”, acrescenta.
O objetivo é fazer com que a legenda de Bolsonaro fique com o espólio dos tucanos em Mato Grosso do Sul
Reinaldo Azambuja destaca a relação próxima com partidos da direita sul-mato-grossense, como o próprio PL, PP, MDB, Podemos, União Brasil e PSD, por exemplo. “Temos um grupo forte da direita aqui e estamos conversando sempre para ver o que é melhor para todos, especialmente em relação ao desejo dos eleitores, majoritariamente de direita”, concluiu.























