BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
Com a aproximação do período eleitoral, o senador Nelsinho Trad (PSD) escalou a esposa Keilla Soares Trad para tentar melhorar sua imagem perante a população de Mato Grosso do Sul. Jovem e bonita, ela saiu do anonimato para gravar vídeos e alimentar as redes sociais do marido e as suas, até então pouco movimentadas.
Até meses atrás, o casal passava a maior parte do tempo em Brasília, conforme publicações nas redes sociais de ambos. Com a proximidade das eleições, Campo Grande passou a a ser o cenário principal na criação de conteúdo, com vídeos mais humanos e menos formais.
A nova função da esposa pode se explicar pelo fato de a reeleição de Trad correr sério risco. Ele enfrentará situação comum a qualquer senador: ficar oito anos sem disputar eleições, quando há distanciamento forçado do eleitor. Além disso, há rejeição natural da família em Mato Grosso do Sul.
Com a proximidade das eleições, Campo Grande passa a ser o cenário de grande parte do material
A preocupação faz sentido. É provável que Trad tenha ao menos três adversários com densidade eleitoral, como o ex-governador Reinaldo Azambuja, que está migrando do PSDB para o PL, o ex-candidato a governador em 2022 Capitão Contar, em negociação para trocar o PRTB pelo PP (ver aqui), e um pouco mais atrás o deputado federal Vander Loubet, do PT (ver aqui).

Seriam, hipoteticamente, quatro fortes pré-candidatos às duas vagas, mas a disputa pode ainda receber outros interessados. Há dúvidas sobre o futuro da ministra Simone Tebet, do MDB, cuja intenção de disputar o Senado não tem respaldo da própria sigla no Estado (ver aqui).

A rejeição a Tebet se dá pelo fato de ela ter se aliado ao presidente Lula, de quem é titular da pasta de Planejamento e Orçamento, depois de acusar o petista de comandar os maiores esquemas de corrupção no país, como a Lava Jato e o Mensalão (ver aqui).

Esposa em ação
Diante disso, Nelsinho Trad não quer pagar para ver e já mandou a esposa “se mexer” para se manter entre os favoritos. Keilla Trad utilizava muito pouco suas redes sociais, com no máximo três postagens por mês, sempre em ocasiões especiais, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Ano Novo, entre outras.
De uns meses para cá, as publicações cresceram e quase todo dia há material “quentinho”. São compartilhados vídeos sobre assuntos variados, com dicas sobre os principais pontos turísticos de Campo Grande, como a Feira Central e o Aquário do Pantanal.
Ela também organiza ida a eventos no Parque das Nações Indígenas sobre a importância de atividades físicas e mentais, dá dicas sobre alimentação e apresenta momentos de reflexão e motivação, apesar da aparente timidez.
Nelsinho Trad não quer pagar para ver e já mandou a esposa “se mexer” para tornar a campanha de reeleição menos complicada
A tentativa, contudo, pode não dar o resultado esperado, uma vez que as publicações não têm um público específico, necessário para construir relação de confiança. A atitude tende a ser vista como mera estratégia política. Falta espontaneidade e sobra insegurança.
Antibolsonarismo
A família Trad está na política há mais de 60 anos, quando o pai Nelson Trad, morto em 2011, ocupou o primeiro cargo político em 1963, o de vice-prefeito em Campo Grande, na gestão de Mendes Canale.
De lá para cá, o clã Trad esteve em diversos cargos no Estado, de vereador em Campo Grande, passando a deputado estadual, deputado federal, senador e prefeito da capital, cargo ocupado pelos irmãos Nelsinho e Marquinhos.
O primeiro por dois mandatos e o segundo por cinco anos porque renunciou ao cargo em março de 2022 para disputar o governo do Estado.
A família Trad está na política há mais de 60 anos
Naquelas eleições, houve debandada dos Trad da direita. Os irmãos mais novos apoiaram Lula (PT) contra Jair Bolsonaro (PL). Ambos foram derrotados. Marquinhos terminou em sexto lugar para governador e Fábio não conseguiu se reeleger deputado federal.
























