CAMPO GRANDE
Ex-deputado e ex-candidato ao Governo do Estado, Capitão Contar (PRTB) não tem mais o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que entregou o comando do PL ao ex-governador Reinaldo Azambuja, nem conta com a estrutura partidária que sustenta os políticos tradicionais.
Ainda assim, transformou-se em um fenômeno eleitoral, dono de capital político que as pesquisas apontam como sólido e competitivo para disputar qualquer cargo em jogo nas eleições do ano que vem em Mato Grosso do Sul.
As informações são do portal Campo Grande News.
“Ele é o cara!”, disse ao Campo Grande News o diretor do Ipems (Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul), Lauredi Borges Sandim, ao apontar o líder da direita estadual como o maior ativo político da atualidade, resiliente e um dos raros candidatos a surfar na onda da direita sem precisar de padrinhos ou estruturas tradicionais.
É um fenômeno eleitoral, dono de capital político que as pesquisas apontam como sólido e competitivo para disputar qualquer cargo em jogo nas eleições do ano que vem
Sandim, conhecido entre os políticos pela precisão nas projeções, detalha que Contar aparece tecnicamente empatado na disputa para o Senado, mas se destaca na última pesquisa por ter a menor rejeição entre os concorrentes, 43,92%, abaixo de Azambuja (45,59%) e distante do maior adversário, Nelsinho Trad (49,55%).
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), eleita com apoio decisivo de Bolsonaro, aparece em último entre os oito candidatos, com 81,75% de rejeição, índice altamente corrosivo em qualquer disputa.
“Ele (Contar) não depende de caronas políticas, como Reinaldo ou Nelsinho, o que evidencia um voto mais ideológico e pessoal. É um fenômeno eleitoral, com potencial para ser a grande surpresa da eleição, devido a essa combinação de menor rejeição, identificação com o eleitor de direita e perfil próprio”, avalia Sandim.
“Ele (Contar) não depende de caronas políticas, o que evidencia um voto mais ideológico e pessoal” — Lauredi Sandim, diretor do Ipems
Assediado pelos adversários de 2022, quando chegou ao segundo turno na dianteira, Contar é visto como o passe mais cobiçado, ou o fiel da balança, que tanto pode facilitar quanto atrapalhar a estratégia de Reinaldo Azambuja.
Prestes a assumir o comando do PL (Partido Liberal) no Estado, o ex-governador trabalha na consolidação de uma frente para garantir uma reeleição tranquila do atual mandatário, Eduardo Riedel, e sua própria eleição para o Senado.
Segundo o Campo Grande News, Contar já está sendo cortejado pelas alas que gravitam em torno de Azambuja, que delegaram à senadora Tereza Cristina, cacique da nova federação União Progressista, a missão de convencê-lo a disputar uma vaga de deputado federal.
A pesquisa do Ipems dá a ele 19,99% da preferência para a Câmara dos Deputados, longe da segunda colocada, a ex-deputada Rose Modesto (UP), com 8,40%. E a léguas do oitavo, o deputado Vander Loubet, que tem 3,09%.
A pesquisa do Ipems dá a Contar 19,99% da preferência para a Câmara dos Deputados
Tereza argumentou que a estrutura do Progressistas e da federação pode eleger até três federais — uma das vagas ela garantiria ao ex-deputado. Contar, no entanto, recusou. Ele tem outros planos e pode embaralhar o jogo.
“Vejo que temos espaço para chegar lá no Senado. Não podemos eleger gente com rabo preso, que não consegue se posicionar contra o sistema. Estou pronto para atender o chamado caso o PL ou o Progressistas lancem um segundo nome para o Senado”, disse ele ao Campo Grande News.
Em uma das pesquisas do Ipems ele chega a liderar a disputa pelo Senado no recorte que inclui os dois cenários estimulados na disputa pelo primeiro voto, mas no cruzamento dos demais dados do levantamento, incluindo as duas vagas e todas as variantes, está em terceiro, empatado tecnicamente com Azambuja e Nelsinho Trad.
“Vejo que temos espaço para chegar lá no Senado. Não podemos eleger gente com rabo preso, que não consegue se posicionar contra o sistema” — Capitão Contar
Contar vai mesmo insistir em disputar uma das duas cadeiras do Senado. Ele avalia também que o Senado será o grande tambor da política dos próximos anos por ter a prerrogativa de abrir impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, uma aposta da direita.
Filiado atualmente ao inexpressivo PRTB, ele reconhece que a falta de estrutura partidária, tempo de TV e apoio formal são desafios, mas insiste que o eleitor de Mato Grosso do Sul, o mais conservador do país, cerca de 55% ideologicamente à direita, já distingue candidatos de legendas.
“O apoio do Bolsonaro é importante, mas não é determinante. O eleitor está muito mais amadurecido e não vota apenas porque alguém pediu”, afirmou, relativizando a ausência do aval direto do ex-presidente. Ele lembra que, na eleição do ano passado para a Prefeitura de Campo Grande, o apoio de Bolsonaro ao deputado Beto Pereira (PSDB) foi ineficaz.
“O apoio do Bolsonaro é importante, mas não é determinante. O eleitor está muito mais amadurecido e não vota apenas porque alguém pediu” — Capitão Contar
O governador Eduardo Riedel, vice-presidente nacional da federação União Progressista, confirmou ao Campo Grande News que mantém negociações com o Capitão:
“O Contar foi um adversário na eleição. Eu já conversei com ele algumas vezes desde então. Ele é um quadro com capital político importante, tem vontade de ajudar, de contribuir. Depois da eleição acabou se retraindo, mas tem potencial e intenção de participar desse processo. Então vamos continuar as conversas”.
“Eu estarei no grupo que vai combater o PT em 2026. Estou aberto a coligações ou até mesmo a migrar de partido, desde que o objetivo seja esse: bater à esquerda e apoiar um candidato de centro-direita à presidência. O Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo), por exemplo, é um ótimo nome”, anuncia Contar.
“Eu já conversei com ele algumas vezes desde então. Ele é um quadro com capital político importante, tem vontade de ajudar, de contribuir” — Governador Eduardo Riedel sobre Contar
Tudo o que Azambuja não quer na eleição para governador é uma candidatura independente da direita fora do seu controle. Com o rompimento anunciado do PT com o governo, as forças políticas se dividiriam em três vias e, diante de cenários político e econômico incertos, poderiam ameaçar a estabilidade do grupo que, em 2026, completa contínuos 12 anos no poder. Contar é a peça mais importante nesse xadrez, aponta o Campo Grande News.





















