LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Em 23 de fevereiro de 2015, no seu primeiro discurso na tribuna do Senado, Simone Tebet (MDB) fez duras críticas à carga tributária brasileira, então em torno de 32% do PIB (ver vídeo abaixo).
Em mais de meia hora, atribuiu a desaceleração da indústria ao peso dos impostos, especialmente os que incidiam sobre a folha de pagamento.
“É preciso enfrentarmos de frente (sic) a carga tributária. É preciso impedir essa desindustrialização. Sei que estou na contramão do discurso do governo federal, mas é importante diminuirmos a carga tributária”, declarou.
Tebet também destacou o papel do agronegócio na sustentação da economia: “Hoje, quem sustenta o Brasil é o agronegócio, é o homem do campo, é o produtor rural, é o pecuarista”.
Nove anos depois, já como ministra do Planejamento e uma das responsáveis pelo grande rombo nas contas públicas do governo Lula, adotou discurso oposto. Passou a defender a criação e o aumento de alíquotas em diversos tributos.
Em 2024, a carga tributária chegou a 32,3% do PIB — o maior patamar em 15 anos — sob um governo do qual ela faz parte.
“O que deu um certo equilíbrio é a reinserção do PIS/Cofins nos combustíveis, que tinham sido tirados na pandemia. Voltaram aos cofres públicos algo em torno de R$ 31 bilhões. De alguma forma, equilibra alguns outros subsídios que demos”, afirmou a ministra, em agosto, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Como senadora e, depois, candidata à Presidência em 2022, Simone Tebet era uma das vozes mais firmes em defesa do teto de gastos, criado no governo Michel Temer (MDB).
Já no governo Lula, a ministra passou a sustentar a necessidade de excluir certas despesas do limite, além de cortes de incentivos fiscais, como forma de tentar recompor o equilíbrio das contas públicas, desajustadas há pelo menos dois anos.























