BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
A gestão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), é a pior avaliada entre as 26 capitais brasileiras, segundo pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada na última sexta-feira (19).
O levantamento mostra que 79% dos entrevistados classificam a administração como ruim ou péssima. Apenas 14% aprovam a gestão, enquanto 7% não souberam ou preferiram não responder.
Em Campo Grande, a pesquisa ouviu 1.491 pessoas entre os dias 6 de outubro e 5 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
O desempenho da prefeita é significativamente pior do que o dos demais gestores. Adriane Lopes aparece sete pontos percentuais à frente do penúltimo colocado no ranking de rejeição, o prefeito de Manaus, David Almeida, que soma 70% de avaliação negativa.
O levantamento mostra que 79% dos entrevistados classificam a administração como ruim ou péssima
Os números revelam a forte descrença da população em relação à administração iniciada em 1º de janeiro deste ano. Eleita no segundo turno, Adriane Lopes derrotou Rose Modesto e tornou-se a primeira mulher escolhida pelo voto direto para comandar a capital sul-mato-grossense.

No extremo oposto do ranking, o prefeito mais bem avaliado é Eduardo Braide (PSD), de São Luís, com 82% de aprovação. Em seguida aparecem Dr. Furlan (MDB), de Macapá, com 78%, e Léo Moraes (Podemos), de Porto Velho, aprovado por 75% da população.
Caos administrativo
Campo Grande enfrenta uma sequência de crises administrativas desde 2013, quando Alcides Bernal virou prefeito, eleito em 2012. Seu mandato terminou em cassação pela Câmara Municipal, assim como o de seu vice, Gilmar Olarte, que assumiu posteriormente.
Em 2016, Marquinhos Trad (PDT) venceu as eleições e assumiu o Executivo em janeiro de 2017. Em vez de adotar medidas de austeridade e contenção de gastos, sua gestão aprofundou a deterioração das contas públicas.
Ao longo de cinco anos, não conseguiu reequilibrar a situação fiscal do município. Em abril de 2022, Trad renunciou ao cargo para disputar o governo do Estado, abrindo espaço para que a então vice, Adriane Lopes, assumisse a prefeitura.
Em vez de adotar medidas de austeridade e contenção de gastos, Marquinhos aprofundou a deterioração das contas públicas
À frente do Executivo, Adriane também deixou de implementar ajustes estruturais. As tentativas de correção só vieram após sua eleição, em outubro de 2024, mas se mostraram tímidas e insuficientes diante do desequilíbrio financeiro.
Hoje, Campo Grande apresenta a pior situação fiscal entre as capitais brasileiras: o limite de gastos com pessoal está estourado e a poupança corrente, esgotada.
O cenário empurrou o município para a pior classificação do Tesouro Nacional, avaliação negativa agora confirmada pela percepção da população medida pela pesquisa AtlasIntel.
À frente do Executivo, Adriane também deixou de implementar ajustes estruturais
Ajuda do Estado
Na última semana, o município precisou ser socorrido pelo Governo do Estado para conseguir encerrar a greve no transporte coletivo (ver aqui).
O governador Eduardo Riedel (PP) antecipou a liberação de recursos originalmente previstos para janeiro, o que viabilizou a negociação da prefeitura com os grevistas e permitiu o fim do movimento.
Uma capital do porte de Campo Grande não dispor de R$ 3 milhões em caixa para enfrentar uma emergência expõe o grau de colapso das contas públicas e reforça a percepção de desorganização fiscal da atual gestão.























