LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA | BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
Os 35 parlamentares de Mato Grosso do Sul — entre deputados estaduais, federais e senadores — gastaram R$ 21,8 milhões em cotas extras bancadas pelos Legislativos estadual e federal ao longo de 2025.
A maior fatia ficou com os 24 deputados estaduais. Juntos, consumiram R$ 16,3 milhões, média de R$ 680 mil por gabinete. Em relação a 2024, houve aumento de mais de 10% nas despesas bancadas com dinheiro público.
Na Câmara dos Deputados, os oito parlamentares federais pediram reembolso de R$ 4,1 milhões, ou média de R$ 518 mil por deputado.
A maior fatia ficou com os 24 deputados estaduais. Juntos, consumiram R$ 16,3 milhões
No Senado, os três senadores comprovaram despesas de R$ 1,3 milhão, o que representa uma média de R$ 447 mil por parlamentar. O valor da cota de ambas as casas é de R$ 46 mil.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) tem sido utilizada para engordar indiretamente os salários, em meio à fragilidade da fiscalização sobre a real necessidade e a efetiva prestação dos serviços contratados.

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), por exemplo, o valor da cota mensal está entre os mais elevados do país entre as 27 casas estaduais, incluindo a do Distrito Federal.
O limite chega a R$ 58 mil mensais, ou R$ 596 mil por ano, valor 26% maior que a cota do Congresso. Em 2025, a maioria dos deputados raspou integralmente o teto disponível.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar tem sido utilizada para engordar indiretamente os salários
Consultoria e divulgação
Coincidentemente, a maior parte da sangria das cotas extras no Senado, na Câmara e na Assembleia Legislativa concentra-se em duas despesas específicas: consultorias e divulgação da atividade parlamentar.
Na ALMS, 36% do total gasto foram em consultorias: R$ 5,8 milhões. Já os gastos com divulgação da atividade parlamentar alcançaram R$ 5,2 milhões, o equivalente a 32% dos R$ 16,3 milhões consumidos no ano.
O deputado Londres Machado (PP) lidera os gastos em consultorias, com R$ 355 mil, apesar de ter mais de uma dezena de assessores à disposição no gabinete.

Na sequência aparecem Neno Razuk (PL) e Márcio Fernandes (MDB), ambos com R$ 324 mil, seguidos por Rinaldo Modesto (Podemos), que gastou R$ 312 mil apenas nesse tipo de despesa.
No ranking de gastos com divulgação da atividade parlamentar, os maiores valores foram registrados por Jamilson Name (PSDB) e Lucas de Lima (sem partido), com R$ 323 mil cada. Em terceiro lugar aparece Zé Teixeira (PSDB), com R$ 319 mil.

Deputados federais
Na Câmara dos Deputados, os oito parlamentares sul-mato-grossenses consumiram R$ 4,1 milhões em cotas extras. Geraldo Resende (PSDB) liderou os gastos, com R$ 563 mil, seguido por Rodolfo Nogueira (PL), com R$ 536 mil, e Vander Loubet (PT), que utilizou R$ 524 mil.

Senado
Entre os senadores, Nelsinho Trad (PSD) manteve-se na dianteira, com R$ 539 mil em despesas, seguido de perto por Soraya Thronicke (Podemos), com R$ 537 mil. Tereza Cristina (PP) gastou menos da metade dos colegas: R$ 264 mil.






















