LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
A Transparência Internacional no Brasil divulgou nota dura contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações em que ele incentiva a militância petista a atacar jornalistas que publiquem notícias desfavoráveis ao governo.
Em discurso recente, Lula afirmou que apoiadores não devem aceitar críticas da imprensa e estimulou reações agressivas. “Você tem que mandar o cara que fez a notícia para aquele lugar. Nós temos que ser mais desaforados. Não tem mais ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição vai ser uma guerra”, disse.
Para a entidade, as declarações são “extremamente graves” e têm caráter autoritário, ao estimular ataques contra quem exerce o jornalismo crítico e independente.
“Você tem que mandar o cara que fez a notícia para aquele lugar. Nós temos que ser mais desaforados” — Lula sobre jornalista que publica notícia contra o governo
A Transparência Internacional ressalta que a atuação livre da imprensa é essencial para a defesa do interesse público e para o funcionamento da democracia. Na nota, a organização cobra retratação imediata do presidente, o fim da retórica de confronto e a reafirmação do compromisso com a liberdade de imprensa.
A entidade também pede transparência total sobre os bilhões de reais gastos em propaganda governamental, alertando para o risco de que recursos públicos sejam usados para financiar milícias digitais e campanhas de intimidação contra jornalistas.
Mídia cúmplice
É preciso lembrar, no entanto, que parte expressiva da grande mídia atuou de forma decisiva para a eleição de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022. A cobertura crítica ao então presidente foi intensa e contribuiu para pavimentar a vitória do petista nas urnas.
Agora, diante de denúncias envolvendo o INSS e o Banco Master — casos que atingem o entorno familiar de Lula e o próprio presidente, no episódio da instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central — o chefe do Executivo passou a atacar e questionar a atuação da imprensa.























