LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Considerado até por aliados como “fio desencapado”, o deputado federal Marcos Pollon (PL) segue acumulando movimentos sem direção clara em seu projeto político. A cada momento, apresenta uma nova ambição eleitoral. A mais recente é a disputa ao Senado, para a qual afirma ter aval do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No último fim de semana, Pollon esteve em Três Lagoas acompanhando agenda do Governo do Estado e fez questão de registrar imagens ao lado do governador Eduardo Riedel e da senadora Tereza Cristina (PP), gesto interpretado como tentativa de aproximação com o grupo político que, até pouco tempo, era alvo de duras críticas.
O movimento contrasta com o comportamento adotado em 3 de agosto do ano passado. Na ocasião, o parlamentar subiu em um caminhão de som no centro de Campo Grande, durante manifestação da direita (vídeo abaixo).
No último fim de semana, Pollon esteve em Três Lagoas acompanhando agenda do Governo do Estado
Disparou ataques à cúpula do PL e ao então comando do PSDB no Estado, representado por Riedel e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, que posteriormente migraram para PP e PL.
A reação foi motivada pela filiação de Reinaldo ao PL, decisão que desagradou Pollon e levou a críticas que atingiram, inclusive, o próprio Bolsonaro e o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto.

No dia seguinte, o deputado divulgou nota anunciando sua pré-candidatura ao governo do Estado. No texto, alegou que a filiação de Reinaldo significava a entrega do partido ao grupo do ex-governador e que a vaga ao Senado já estaria definida.
Após a ida de Contar ao PL, em dezembro de 2025, Pollon voltou a mudar de rota e passou a investir novamente na disputa ao Senado. A decisão foi impulsionada por um bilhete divulgado dias atrás pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, indicando apoio do ex-presidente ao nome do deputado.
Após a ida de Contar ao PL, em dezembro de 2025, Pollon voltou a mudar de rota e passou a investir novamente na disputa ao Senado
O gesto, no entanto, contraria o encaminhamento da cúpula nacional do PL, que trabalha com as candidaturas do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado Capitão Contar, ambos à frente nas pesquisas para as duas vagas.
Sem “peixada” e “amiguinho”
Em recente passagem por Campo Grande, o senador Flávio Bolsonaro reforçou que uma das vagas tende a ser ocupada por Reinaldo, enquanto a segunda deverá ser definida por meio de levantamentos eleitorais.
“A segunda vaga está praticamente encaminhada a Capitão Contar em razão do seu potencial de votos, confirmado em todos os levantamentos. Nada mais que isso”, afirmou fonte ouvida pelo MS em Brasília na semana passada.
Segundo esse dirigente, a filiação de Contar ao PL foi baseada em pesquisas internas que apontam ampla vantagem sobre outros nomes, ao lado de Reinaldo.
“Temos uma grande chance de eleger dois senadores em Mato Grosso do Sul. Não podemos nos deixar influenciar por pressões. Vamos ser guiados pelas pesquisas”, acrescentou.
“A segunda vaga está praticamente encaminhada a Capitão Contar em razão do seu potencial de votos, confirmado em todos os levantamentos”
Apesar de sinalizar preferência por Pollon, o próprio Jair Bolsonaro já declarou que a definição dos candidatos ao Senado não terá favorecimentos pessoais (ver aqui e aqui).
“Não vai ter peixada. Não vai ter ‘cheguei na frente’, nem ‘sou amiguinho’. Onde houver dúvida, vamos fazer pesquisa no estado”, afirmou (vídeo).
Também causa desconforto na sigla anotação atribuída a Flávio Bolsonaro indicando que Pollon teria pedido R$ 15 milhões para não participar da disputa, provavelmente ao governo. O deputado nega.
“Não vai ter peixada. Não vai ter ‘cheguei na frente’, nem ‘sou amiguinho’” — Ex-presidente Bolsonaro sobre a definição de nomes na disputa pelo Senado
Histórico de conflitos
O comportamento do deputado Marcos Pollon em relação ao partido, no entanto, não é episódico.
Não foi a primeira — nem a segunda — vez que Pollon se irritou com decisões internas do PL.
Em junho de 2024, lançou-se pré-candidato a prefeito de Campo Grande após tomar conhecimento de um acordo entre a sigla e o PSDB com vistas às eleições na capital.
“Como minha mãe pariu um homem e não um saco de bosta e vocês reclamavam que não havia um candidato para votar, agora tem porque sou pré-candidato a prefeito em Campo Grande”, anunciou.
Quatro dias depois, o presidente Valdemar da Costa Neto destituiu o deputado federal da presidência do partido em Mato Grosso do Sul. A Executiva Nacional considerou a fala de Pollon “chula”, “agressiva” e “desnecessária” (ver aqui).
Outro lado
O MS em Brasília encaminhou ao deputado federal Marcos Pollon, na terça-feira (14), todos os pontos mencionados na reportagem para manifestação. Apesar de diversas tentativas, não houve resposta após três dias. O espaço segue aberto.






















