COLUNA VAPT-VUPT (*)
Um ditado popular se fará presente nas eleições do próximo ano em Mato Grosso do Sul e no Brasil: “Cavalo encilhado não passa duas vezes”. O político que der de ombro a essa evidência baterá com a cara na parede.
A direita no país terá a chance em 2026 de ganhar a Presidência da República, a maioria das vagas no Senado e até 80% das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados. Nos estados, poderá eleger a maioria dos governadores e dos deputados estaduais, alinhados com o próximo presidente.
Em Mato Grosso do Sul, a perspectiva de eleger dois senadores de direita é grande. O risco está somente em eventual interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na escolha de um dos candidatos. Ele tem dito que uma das vagas ao Senado será da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira, ambos do PL.
Em Mato Grosso do Sul, a perspectiva de eleger dois senadores de direita é grande
Não se sabe por que o ex-presidente tem essa preferência, uma vez que Gianni nunca passou pelo duríssimo teste das urnas, nem como candidata a vereadora nem a deputada. O eleitor dificilmente engolirá uma nova Soraya Thronicke (Podemos) por mais que a vice de Marçal Filho (PSDB) tenha outro perfil. Construir uma candidatura do zero pode custar caro às pretensões da direita.
Há risco de Bolsonaro cometer o mesmo erro em Santa Catarina, onde quer reservar uma vaga ao filho Carlos Bolsonaro, vereador pelo PL no Rio de Janeiro. Tanto lá quanto cá, não há necessidade de o ex-presidente “botar sua colher” no processo de escolhas dos nomes ao Senado. São dois estados onde a direita tem ampla maioria do eleitorado e excelentes candidatos.
Por aqui, cite-se apenas os pré-candidatos a senador mais conhecidos, como o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o ex-deputado e candidato a governador em 2022 Capitão Contar (PRTB). Há ainda pré-candidatos como o senador Nelsinho Trad (PSD), cuja fidelidade à direita é duvidosa, devido a sua postura ambígua em votações e posicionamentos escorregadios sobre o ativismo do Supremo Tribunal Federal.
Não se sabe por que o ex-presidente tem essa preferência, uma vez que Gianni nunca foi testada nas urnas, como vereadora ou deputada
A ministra Simone Tebet não conseguirá viabilizar sua candidatura ao Senado. O MDB, partido dela, já a avisou que não terá o apoio no Estado por ter se afastado das suas bases e se aliado a Lula. Além disso, Tebet afirmou que estará no palanque do atual presidente em 2026.
Outra que pode atrapalhar os objetivos da direita de eleger dois senadores é a senadora Tereza Cristina. “Logo ela”, diriam alguns. Depois de ajudar a reeleger a prefeita Adriane Lopes (PP), cujas gestões têm sido marcadas por irregularidades, ela quer um nome do PP na disputa ao Senado.
O preferido seria o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, cuja densidade eleitoral não lhe garantiria nem a eleição como prefeito de Sidrolândia, sua maior base política. Pré-candidato pesado e sem brilho, o que poderia colocar em risco a eleição de um nome mais bem-aceito pelo eleitor de direita.
A ministra Simone Tebet (MDB) não conseguirá viabilizar sua candidatura ao Senado
A imposição de nomes, sem capital político próprio, raramente deu certo. Tome-se como base a eleição suplementar realizada no último domingo (6), em Bandeirantes, a 70 quilômetros de Campo Grande. Tereza Cristina foi a garota propaganda da candidata do MDB, a professora Tatiane Miyasato.
Apuradas as urnas, Miyasato perdeu para o empresário Celso Abrantes (PSD): 53,9% a 40,24% dos votos válidos. Flávio Paiva ficou com 5,85%. Na política, a transferência de votos é quase nula se o candidato não oferecer bem mais que a imagem de outros políticos ao eleitor.
Exceção ocorreu em 2018, quando a direita elegeu diversos candidatos desconhecidos, ligados a Jair Bolsonaro. De Mato Grosso do Sul, foram eleitos a senadora Soraya Thronicke e os deputados federais Dr. Luiz Ovando e Loester Trutis, todos do PSL.
A imposição de nomes, sem capital político próprio, raramente deu certo
Dos três, apenas o médico Luiz Ovando se manteve fiel aos princípios que o elegeram, o que o levou a ser reeleito em 2022. Nessa mesma eleição, apareceram Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, ambos do PL, que se juntaram a Ovando.
Com a possível candidatura à Presidência da República do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a direita em Mato Grosso do Sul estaria com as portas escancaradas para celebrar uma grande vitória. Antes, porém, seria preciso se vacinar contra vaidades e interesses políticos menores.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público



























