BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
O Governo do Estado vai entregar nos próximos meses uma ponte sobre o Córrego Lageado, que interligará o Parque do Lageado ao Jardim Manaíra, região sul de Campo Grande. Com isso, haverá novo acesso para a Avenida Guaicurus, importante via arterial da cidade.
Além da travessia de concreto, será feita a pavimentação trecho da rua Tristão dos Santos, ampliando o acesso ao local e facilitando o trânsito no bairro.
As obras na região acabam com a difícil rotina de décadas dos moradores, que fazem a travessia do córrego em uma pinguela, ponte improvisada com pau atravessado de um lado ao outro.
A nova estrutura, que terá investimentos de R$ 6,7 milhões, começou a ser executada em 2024, segundo a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). São 7.991,28 m² de pavimentação asfáltica, 619,98 metros de drenagem, 2.576,22 m² de calçadas com acessibilidade, além de sinalização viária.

Com a Prefeitura de Campo Grande sem recursos próprios para fazer investimento, devido ao comprometimento de mais de 97% das receitas com despesas fixas, os últimos governadores têm sido os prefeitos da capital.
Assim ocorreu nos governos de Reinaldo Azambuja (2015-2022), que executou uma série de obras nas gestões de Marquinhos Trad (PDT), e agora com Eduardo Riedel (2023-2026), nas gestões de Adriane Lopes (PP).
Com a Prefeitura de Campo Grande sem recursos próprios para fazer investimento, os últimos governadores têm sido os prefeitos da capital
Pinguela no caminho
A aposentada Maria Madalena da Silva, de 71 anos, testemunha a chegada da urbanização ao bairro. Desde meados de 1975 a carioca mora ali com a família e, para ir ao trabalho de emprega doméstica, teve que atravessar o córrego Lageado em uma pinguela de um metro de largura.

Governadores têm sido os melhores prefeitos da capital”Hoje, a gente pode pôr a mão pro céu. Quando cheguei aqui, era só mato, não tinha quase ninguém. A gente passava em cima de uma tábua pra ir ao serviço. Quando enchia o córrego, cheguei a usar uma canoa”, relembra Maria Madalena, diante de um novo cenário, com ruas sendo asfaltadas e a nova ponte pronta, medindo 40 metros, onde antes havia apenas um acesso feito de madeira.
“Todo dia era uma luta para caminhar. Em época de chuva, colocávamos sacola nos pés para não atolar no barro. Era um desafio pra viver aqui, mas vencemos”.
Como parte do projeto de infraestrutura, também será pavimentada o trecho da rua Tristão dos Santos, ampliando o acesso ao local e facilitando o trânsito no bairro.

“Essa ponte representa uma conquista da dignidade. Era um pedido antigo e necessário. Estamos mudando a geografia da região, levando infraestrutura, mobilidade e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul, Guilherme Alcântara de Carvalho.
“Em época de chuva, colocávamos sacola nos pés para não atolar no barro. Era um desafio pra viver aqui, mas vencemos” — Aposentada Maria Madalena da Silva
“Medo”
A transformação já é visível. Andréia Medeiros de Souza, 46 anos, mora há seis no Lageado e até pouco tempo precisava atravessar a pinguela todos os dias para chegar ao local onde trabalhava.
“Passava com medo. Muitas amigas já foram assaltadas ali. Agora, com a ponte, a gente sonha com uma rua mais segura, mais movimentada. Já tem vizinho construindo comércio. Eu mesma abri uma mercearia porque sei que vai melhorar”, diz. Para ela, a pavimentação e o novo acesso devem valorizar a região e estimular o crescimento de um pequeno polo comercial.
Já Fábio Silva, de 36 anos, engenheiro mecânico e morador há 19 anos da região, está abrindo uma bicicletaria na esquina onde a ponte está sendo instalada.
“Passava com medo. Muitas amigas já foram assaltadas ali. Agora, com a ponte, a gente sonha com uma rua mais segura, mais movimentada. Já tem vizinho construindo comércio” — Andréia Medeiros de Souza

“Antes não tinha movimento, não dava pra abrir nada. Era assalto, buraco e barro. Com a ponte, vem o asfalto, vem o fluxo. Já tem amigo montando serralheria, outro vai abrir loja de troca de óleo de veículos. Isso aqui vai virar uma rua comercial”, prevê.
Fábio destaca que a ponte não é apenas uma questão de mobilidade, mas de segurança e qualidade de vida. “A gente melhora em tudo. Com a educação dos nossos filhos, com a autoestima do bairro, com o valor dos imóveis. Era um sonho. Agora virou realidade”.
Com informações da Secretaria-Executiva de Comunicação de MS


























