COLUNA VAPT-VUPT (*)
Ano após ano, institutos de pesquisa divulgam levantamentos sem que seja obrigatório registrar o trabalho no Tribunal Regional Eleitoral, o que dá margem para resultados questionáveis.
No meio político, é de conhecimento geral que há custo para quem deseja aparecer bem nas sondagens.
Dias atrás, um instituto conhecido no Estado — mas alvo de críticas quanto à credibilidade — publicou nova rodada de pesquisas para Governo do Estado, Senado e deputados. Sem demora, políticos repercutiram os números, orgulhosos.
Em algumas situações, pré-candidatos que não apareciam em levantamentos de outros institutos mais sérios, digamos, surgiram com boa pontuação.
É o caso de um pré-candidato ao Senado, que saiu das últimas posições para brigar por uma vaga, evidenciando clara distorção das pesquisas.
No meio político, é de conhecimento geral que há custo para quem deseja aparecer bem nas sondagens
Os fatos são tão visíveis que uma investigação de órgãos como Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, o Gaeco, Polícia Civil e Polícia Federal, poderia revelar eventuais pagamentos, manipulação de dados e tendências fabricadas.
É preciso reconhecer que a responsabilidade é de todos: do empresário que vende o “serviço”, ao político que paga para aparecer bem no levantamento.
Parte da própria mídia também participa, ao divulgar números com um ar de credibilidade, mesmo sabendo que oferece ao eleitor dados pouco confiáveis.
É preciso pôr fim a essa farsa. Mais cedo ou mais tarde, o real cenário político virá à tona, ampliando ainda mais a descrença da população em relação às pesquisas.
Os fatos são tão visíveis que uma investigação poderia revelar eventuais pagamentos, manipulação de dados e tendências fabricadas
Não se trata, entretanto, de um problema exclusivo de Mato Grosso do Sul. Em todo o país, especialmente nas disputas presidenciais, essa distorção persiste, comprometendo a transparência do processo.
O dia em que os políticos se recusarem a pagar por pesquisas forjadas, essas empresas perderão espaço e desaparecerão.
No fim, o que deveria prevalecer é a consciência de quem pretende atuar na vida pública, mas, infelizmente, não é assim que pensa a maioria.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MSemBrasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público



























