COLUNA VAPT-VUPT (*)
O neopetista Fábio Trad, possível pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, atacou em vídeo (ver aqui) a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa.
Como era previsível, Trad recorreu ao repertório clássico do petismo e do lulismo, difundido desde as ações norte-americanas, na manhã do último sábado (3): acusou Donald Trump de ferir a “soberania” venezuelana.
O argumento é cínico, ou profundamente ignorante. Não existe soberania popular sob uma ditadura. Em regimes como o de Maduro, a soberania não pertence ao povo, mas exclusivamente ao ditador.
Não existe soberania popular sob uma ditadura
Para que um país seja soberano de fato, é indispensável que sua população tenha liberdade, comida no prato, instituições funcionando em seu favor, acesso à saúde, à educação e aos demais direitos básicos da vida civilizada. Nada disso existe na Venezuela chavista.
Ainda assim, Fábio Trad afirmou que os Estados Unidos afrontaram o Direito Internacional ao capturar Maduro, numa operação que, registre-se, não matou um único civil.
A pergunta que se impõe é simples: onde estava Fábio Trad quando o regime venezuelano executou mais de 10 mil adversários políticos? Houve algum vídeo indignado apontando violações aos Direitos Humanos?
Onde estava Fábio Trad quando o regime venezuelano executou mais de 10 mil adversários políticos?
Onde estava Trad quando o chavismo prendeu cerca de 17.400 opositores? Quando mais de 3.500 venezuelanos desapareceram? Quando cerca de 1.650 pessoas foram lançadas em masmorras de tortura? E quando o país acumulava mais de 2.000 presos políticos?
Em algum desses momentos o advogado evocou o Direito Internacional com a mesma veemência? O silêncio, nesse caso, fala mais alto do que qualquer discurso.
Por isso, o argumento de que os Estados Unidos agiram movidos por interesses no “petróleo venezuelano” — outro erro elementar repetido por Trad — não é apenas pueril: é patético. Lança hipótese ante a fatos incontestáveis, como a fuga de 7,7 milhões de venezuelanos do regime.
O argumento de que os EUA agiram movidos por interesses no “petróleo venezuelano” não é apenas pueril: é patético
Pior ainda foi afirmar que haveria “outras formas” de lidar com Maduro para evitar a intervenção americana.
Aos 56 anos, por má-fé ou ingenuidade, Fábio Trad ainda parece acreditar que ditadores deixam o poder após conversas civilizadas, como se negociassem em uma mesa de bar.
A realidade venezuelana desmente essa fantasia. O povo votou reiteradamente na oposição, mas a vontade das urnas jamais foi respeitada.
Na última eleição, Edmundo González venceu com quase 70% dos votos. Maduro simplesmente ignorou o resultado e permaneceu no poder. Houve inúmeras tentativas diplomáticas e políticas para uma transição pacífica, todas fracassadas diante da brutalidade do regime.
Fábio Trad ainda parece acreditar que ditadores deixam o poder após conversas civilizadas
Fábio Trad já figura entre os piores políticos de Mato Grosso do Sul justamente por essa consciência política volátil, que se ajusta conforme a conveniência eleitoral.
Não por acaso, caminha agora ao lado de nomes do petismo, como Zeca do PT, Pedro Kemp, Vander Loubet e Camila Jara. Também não surpreenderá se, diante de uma eventual derrota nas próximas eleições, volte a trocar de partido. Já o fez outras vezes.
A família Trad vive da política há mais de seis décadas. Desde 1963, quando Nelson Trad se elegeu vice-prefeito de Campo Grande, a trajetória do clã tem sido marcada pela ocupação de cargos e pela adaptação ideológica conforme o vento eleitoral.
Não surpreenderá se, diante de uma eventual derrota nas próximas eleições, Trad volte a trocar de partido
A ideologia, nesse caso, nunca esteve nos princípios, mas na conveniência eleitoral, seja para vencer eleições, seja para digerir frustrações e angústias vindas das urnas.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público



























