EDITORIAL
Não é difícil constatar a farsa dos números divulgados por determinado instituto de pesquisa em Mato Grosso do Sul. Basta ter acesso a levantamentos feitos para “consumo interno”, sem divulgação pública, para perceber o tamanho da distorção.
Dias atrás, a classe política voltou a comemorar mais um levantamento do instituto ao qual daremos o nome fictício de Tracking. O fenômeno chama atenção: não há um único pré-candidato de cara fechada.
A pesquisa é boa para todos. E cada um corre para celebrar nas redes sociais, ajudando a amplificar junto à população uma narrativa que pouco tem a ver com a realidade.
A dança dos números varia conforme o pagamento. Desde as eleições de 2022, o MS em Brasília tem denunciado o uso, por parte da classe política, de pesquisas com números fantasiosos, alterados ou manipulados (ver aqui).
Dias atrás, a classe política voltou a comemorar mais um levantamento do instituto ao qual daremos o nome fictício de Tracking
Na atual disputa pelo Governo do Estado, o Tracking tem margem limitada para manobra. É impossível ignorar o governador Eduardo Riedel (PP) na liderança. Ainda assim, o “milagre” começa a aparecer: candidatos que registram desempenho modesto em levantamentos internos surgem com índices inflados na pesquisa dessa empresa.
No caso da corrida ao Senado, o contraste é ainda mais evidente. Quem tem acesso às pesquisas reservadas se surpreende ao comparar os dados com os divulgados pelo Tracking.
Na prática, o eleitor acaba sendo induzido a erro, mas a responsabilidade não é apenas do instituto. A culpa também é dos próprios políticos. São eles que alimentam e mantêm esse tipo de empresa em funcionamento, financiando levantamentos que acabam transformados em peças de propaganda disfarçadas de pesquisa.
Meses atrás, o MS em Brasília revelou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o instituto por inconsistências em seus levantamentos, aplicando multa de R$ 50 mil.
Quem tem acesso às pesquisas reservadas se surpreende ao comparar os dados com os divulgados pelo Tracking
À medida que a eleição se aproxima, no entanto, a realidade costuma se impor. Os números divulgados passam gradualmente a se aproximar do cenário real, ainda que isso signifique uma notícia ruim para quem pagou para aparecer entre os líderes ou entre os candidatos mais competitivos.
Pesquisas manipuladas só deixarão de contaminar as eleições quando dois atores fizerem a sua parte: a classe política e a Justiça Eleitoral. Aos políticos, cabe parar de gastar dinheiro — muitas vezes público — para fabricar desempenho eleitoral que não existe. À Justiça, cabe agir com rigor contra quem distorce números e tenta influenciar o voto com informação falsa.






















