LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA | BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), decidiu seguir um caminho que já vinha sendo apontado há mais de três anos pelo MS em Brasília: transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde pretende disputar uma vaga ao Senado.
À primeira vista, a decisão pode parecer inesperada. Nos bastidores políticos, porém, o movimento é tratado como estratégico.
Pesquisas de opinião ao longo dos últimos anos indicavam que Tebet acumulava índices elevados de rejeição entre eleitores de Mato Grosso do Sul, especialmente diante de nomes competitivos para cargos majoritários no estado.
Pesquisas de opinião ao longo dos últimos anos indicavam que Tebet acumulava índices elevados de rejeição entre eleitores de MS
O desgaste teria se intensificado após a então senadora declarar apoio, no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
A partir dali, aliados e analistas passaram a considerar a possibilidade de Tebet buscar viabilidade eleitoral fora de seu estado de origem.
A aposta recai sobre São Paulo, onde historicamente candidatos sem trajetória política local já conquistaram espaço em disputas majoritárias.
Um exemplo recente é o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito em 2022 mesmo sem carreira política prévia no estado.
O desgaste teria se intensificado após a então senadora declarar apoio a Lula em 2022
Reação
A confirmação de que Tebet pretende disputar o Senado por São Paulo provocou reação entre políticos paulistas.
Uma das vozes mais críticas foi a da ex-deputada estadual e advogada Janaína Paschoal, conhecida por ter sido uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Em publicação na rede social X, ela questionou a necessidade de o estado receber candidaturas vindas de fora.
“Com o mais profundo respeito, pergunto: será que São Paulo precisa importar candidatas para concorrerem ao Senado? É preciso entender que o papel do senador é representar seu estado! Eu não me conformo com essa situação!”, escreveu.

Na sequência, Janaína afirmou que poderia disputar a vaga caso tenha condições mínimas de campanha. “Não sei se tenho chance, mas se algum partido me der legenda e alguma estrutura para a campanha, eu concorro novamente”, afirmou.
Ela lembrou que, nas eleições de 2022, recebeu cerca de 500 mil votos mesmo com uma campanha modesta.
“Gastei, do próprio bolso, R$ 49 mil. Dividam o preço da campanha dos outros candidatos pelos votos que obtiveram. Por voto, fui eu a que gastei menos”, disse.
Atualmente filiada ao Progressistas (PP), Janaína afirmou não ter queixas da legenda, mas ressaltou que a sigla tem preferência por uma candidatura dela à Câmara dos Deputados. Ainda assim, disse considerar importante colocar seu nome à disposição.
“Entendo firmemente que o Senado precisa de alguém com meu perfil. Por isso, não quero me omitir. Coloco, publicamente, meu nome à disposição”, declarou.
Previsão antiga
A possibilidade de mudança de domicílio eleitoral de Tebet já vinha sendo apontada pelo MS em Brasília desde 2022.
À época, quando a então senadora declarou apoio a Lula no segundo turno da eleição presidencial, o site avaliou que o movimento poderia levá-la a buscar viabilidade eleitoral em outro estado.

Em janeiro de 2023, já com Tebet no ministério, o portal voltou a registrar a avaliação de que ela poderia trocar Mato Grosso do Sul por São Paulo, mirando disputas futuras no maior colégio eleitoral do país.























