LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
À primeira vista, a impressão é de que o processo eleitoral brasileiro passou a dialogar com crianças. Essa percepção surge a partir das características da mascote “Pilili”, criada para celebrar os 30 anos da urna eletrônica.
A personagem foi apresentada na segunda-feira (4), durante solenidade conduzida pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia.
A proposta, no entanto, soa deslocada. Embora o objetivo declarado seja alcançar o público jovem, a estética e a linguagem remetem a uma comunicação voltada a crianças de pouca idade. O nome “Pilili”, inclusive, faz alusão ao som emitido pela urna no momento da confirmação do voto.
A iniciativa contrasta com campanhas bem-sucedidas no país, como a do Zé Gotinha, criada com um propósito claro e específico: reduzir o medo infantil em relação à vacinação. No caso da Justiça Eleitoral, a estratégia parece menos precisa.
Segundo o próprio TSE, “criada para aproximar a Justiça Eleitoral da população, especialmente do público jovem, Pilili passa a representar, de forma lúdica e acessível, a importância do voto e da participação cidadã”.
Durante o evento, a ministra Cármen Lúcia destacou atributos como segurança, confiabilidade, agilidade e auditabilidade da urna eletrônica.
“O Brasil pensou uma forma, portanto, algo que foi feito por nós, para nós, para as nossas necessidades, que é a urna eletrônica. O voto é computado, não tem a mão de outra pessoa, não tem a visão de outra pessoa. É você, exclusivamente, com a sua escolha, com quem você acha que lhe representa”, afirmou.
Ainda assim, a criação de uma mascote com apelo infantil levanta questionamentos sobre as prioridades da comunicação institucional, especialmente diante de temas mais relevantes que cercam o processo eleitoral.




















