EDITORIAL
Que fase de Campo Grande! A cidade que deveria ser modelo de gestão para o país está há mais de uma década travada administrativamente.
As duas últimas gestões elevaram o grau de irresponsabilidade fiscal, tema muitas vezes tratado com desdém, como se não tivesse relação com a administração pública.
É aí que todos se enganam, inclusive os próprios gestores, Marquinhos Trad (2017 a março de 2022) e Adriane Lopes (abril de 2022 a dezembro de 2024).
Não há administração que se sustente sem gestão fiscal responsável, o que significa o básico: gastar apenas o que se arrecada.
Desde sua criação, em maio de 2019, o MS em Brasília tem publicado diversas matérias sobre a situação fiscal dos entes públicos em Mato Grosso do Sul. Governo do Estado e prefeituras, entre elas, Campo Grande, vêm sendo alertados rotineiramente sobre os riscos de suas finanças.
As duas últimas gestões elevaram o grau de irresponsabilidade fiscal, tema muitas vezes tratado com desdém
O debate sobre quem fez pior pela cidade chegou ao plenário da Assembleia Legislativa. No melhor estilo “o roto falando do esfarrapado”, os deputados estaduais Lídio Lopes (marido da prefeita Adriane Lopes) e Pedro Pedrossian Neto (secretário de Finanças na gestão Trad) travam um duelo sobre as administrações de ambos.
É preciso lembrar que o período de Marquinhos (PDT) foi igualmente desastroso. Populista, ocultou diversos problemas da gestão até entregar as chaves da prefeitura à então vice, Adriane Lopes.
Até aquele momento, reinava a cumplicidade: a vice elogiava o chefe; e Trad dizia-se tranquilo por deixar o cargo com a companheira de chapa em duas eleições.
No melhor estilo “o roto falando do esfarrapado”, os deputados estaduais Lídio Lopes e Pedrossian Neto travam um duelo sobre as administrações de ambos
Mas problemas enterrados não permanecem ocultos para sempre.
Após as eleições de 2022, os escândalos começaram a aparecer. Adriane passou a acusar o antecessor de má gestão, e uma operação da Polícia Civil revelou suspeitas de desvios em obras públicas, com parte dos recursos supostamente destinada à compra de imóveis por Trad.
Com o tempo, os escândalos se multiplicaram: licitações direcionadas, saúde e educação sucateadas, folha fantasma com supersalários, igreja dentro da prefeitura, desvio de verbas carimbadas de uma área para outra.
Má gestão em seu estado mais puro.
Nas eleições de 2024, Adriane Lopes (PP) foi reeleita com o apoio da senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP e madrinha política de peso.
Durante a campanha, a prefeita mentiu mais que espingarda velha, diriam os mais experientes.
Ainda assim, mostrou um discurso mais direto que o de Rose Modesto, sua adversária no segundo turno, embora Rose tivesse mais tato e experiência em cargos públicos. Por outras palavras, teria sido a melhor escolha para Campo Grande.
Os escândalos se multiplicaram: licitações direcionadas, saúde e educação sucateadas, folha fantasma com supersalários, igreja dentro da prefeitura, desvio de verbas carimbadas de uma área para outra
A vitória sorriu para Adriane.
Mas as medidas de austeridade fiscal, que ela deveria ter tomado ao assumir o lugar de Trad, vieram com três anos de atraso.
Reduzir despesas de custeio e folha do funcionalismo não era opção — era obrigação, diante dos dados alarmantes do Tesouro Nacional sobre a situação de Campo Grande.
Adriane e seu grupo preferiram ignorar os alertas, demonstrando desinteresse pelo futuro da cidade. Lídio Lopes (sem partido) e Pedrossian Neto (PSD) são apenas reflexos de Adriane Lopes e Marquinhos Trad.
Os quatro têm muito a explicar aos campo-grandenses por esses oito anos de gestões desastrosas, que deixaram a capital vilipendiada e estagnada.
Reduzir despesas de custeio e folha do funcionalismo não era opção — era obrigação
Se conselho fosse bom, seria vendido, mas vale o registro: o chumbo trocado entre os deputados apenas expõe a incompetência das duas últimas administrações.
E, ao que tudo indica, a cereja desse bolo amargo começou a ser servida em janeiro de 2025, com data marcada para terminar em dezembro de 2028.
A menos que a nova equipe da prefeita reeleita finalmente compreenda que “responsabilidade fiscal” não é apenas um termo bonito para ser repetido em discursos sobre austeridade administrativa.



























