BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE | LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
A disputa pela segunda vaga ao Senado dentro do PL será definida por pesquisa, anunciou na última quinta-feira (9), em Campo Grande, o pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro.
O procedimento está alinhado a uma declaração feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no início de 2025:
“A gente vai lançar um candidato para o Senado. Eu teria precedência para indicar esse nome. Não vai ter peixada. Não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho. Onde tivermos dúvidas, vamos fazer uma pesquisa no estado.”
“Não vai ter peixada. Não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho. Onde tivermos dúvidas, vamos fazer uma pesquisa no estado” – Jair Bolsonaro em janeiro de 2025
A declaração foi feita no fim de janeiro de 2025 ao canal Auri Verde Brasil, no YouTube (ver vídeo). Na ocasião, o ex-presidente afirmou ainda que, onde o PL não tiver candidato competitivo, apoiará nomes de outras legendas de direita.
“São pessoas que terão credibilidade. Não é um Senado que a gente quer para perseguir, mas é um Senado que irá se posicionar quando alguém estiver passando do limite”, acrescentou.
Fonte do PL, ouvida pelo MS em Brasília sob condição de anonimato, afirma que a segunda vaga está praticamente definida em favor do ex-candidato ao governo Capitão Contar, em razão do seu desempenho eleitoral. “Não temos dúvida sobre a quem irá a segunda vaga”, afirmou.
Fonte do PL afirma que a segunda vaga está praticamente definida em favor do ex-candidato ao governo Capitão Contar
O ex-deputado chegou ao PL com o apoio de lideranças nacionais, como o presidente Valdemar da Costa Neto e os senadores Flávio Bolsonaro (RJ) e Rogério Marinho (RN). Pesquisas divulgadas até o momento indicam Contar com ampla vantagem sobre o deputado federal Marcos Pollon, que recebeu apoio do ex-presidente Bolsonaro.

Corda bamba
Crítico do governador Eduardo Riedel e do ex-governador Reinaldo Azambuja, Pollon enfrenta resistência interna até mesmo entre parlamentares da sigla. Contar, por outro lado, mantém posição confortável, amparado por levantamentos internos que indicariam, até o momento, sua eleição ao lado de Azambuja.
Contar chegou ao PL com o apoio de lideranças nacionais, como o presidente Valdemar da Costa Neto e os senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho
Ele sustenta projeto ao Senado desde que foi derrotado por Riedel na disputa pelo governo do Estado, em 2022. Em 2024, mesmo liderando pesquisas ao lado do ex-governador André Puccinelli para a Prefeitura de Campo Grande, abriu mão da candidatura para preservar a estratégia de disputar o Senado em 2026.
Com capital político próprio e densidade eleitoral, Contar teria recebido sinalização da cúpula do PL de que apenas uma mudança relevante no cenário poderia alterar a definição da vaga.
Internamente, há a avaliação de que Pollon enfrentaria dificuldades até mesmo para a reeleição, diante de desgastes acumulados nos últimos dois anos, tanto no partido quanto entre o eleitorado de direita.
Pollon enfrenta resistência interna até mesmo entre parlamentares da sigla
Pesa ainda contra o deputado o registro, em anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro, de que teria solicitado R$ 15 milhões para desistir da disputa (ver reprodução). O episódio gerou mal-estar dentro do partido e entre lideranças nacionais da sigla.

“Aqui ninguém ganhará vaga no grito”, afirma alta fonte do PL. Nesse cenário, o critério de escolha por pesquisas, defendido por Jair Bolsonaro, tende a se sobrepor a articulações políticas ou apoios individuais.






















