LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
A juíza Andreza Tauane Câmara Silva, do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Brasília, negou o pedido do ex-deputado federal Loester Trutis (PL) para revogar as medidas protetivas de urgência em favor da ex-mulher Raquelle Lisboa Alves. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (29).
A defesa do ex-parlamentar alegou mudança nas circunstâncias, destacando a distância entre as residências — ele em Campo Grande e ela em Brasília — e solicitou a flexibilização das restrições para viabilizar a convivência com o filho menor.
A ex-mulher, por sua vez, manifestou-se pela manutenção das medidas, afirmando ainda se sentir em situação de vulnerabilidade. A defesa apontou o histórico do relacionamento, a possibilidade de deslocamento do requerido ao Distrito Federal e pendências envolvendo o filho do ex-casal. O Ministério Público também opinou pela rejeição do pedido.
A ex-mulher manifestou-se pela manutenção das medidas, afirmando ainda se sentir em situação de vulnerabilidade
Na decisão, a magistrada afirmou que “não se verifica alteração concreta e suficiente do quadro de risco que autorize, neste momento, a revogação das medidas protetivas”.
O caso
As medidas foram concedidas em 25 de janeiro de 2026, após denúncia da ex-esposa. No processo, ela relata episódios de violência física, intimidação, controle, ofensas, ameaças e abalo emocional ao longo do relacionamento.
Segundo a juíza, há relatos de agressões anteriores, incluindo empurrões e socos, além de um episódio com lesão na costela, comprovada por documentação médica.
Também constam intimidação com arma de fogo e um episódio recente em que a vítima teria sido segurada com força pelos braços, resultando em hematomas.
As medidas foram concedidas em 25 de janeiro de 2026, após denúncia da ex-esposa
O Formulário Nacional de Avaliação de Risco aponta fatores relevantes, como notícia de estrangulamento, ameaças graves, uso de arma de fogo para intimidação e violência em período de especial vulnerabilidade da vítima.
Além disso, uma diligência de busca e apreensão na residência do ex-deputado resultou na apreensão de armas e munições, o que, segundo a magistrada, reforça a necessidade de cautela na reavaliação das medidas.
A juíza destacou ainda que o fato de as partes residirem em estados diferentes não afasta o risco.
“A proteção deferida não se restringe à proximidade física imediata, abrangendo também a prevenção de contatos indevidos, abordagens indiretas, monitoramento, constrangimentos e outras formas de interferência na esfera de liberdade e tranquilidade da ofendida”, afirmou.
Diligência de busca e apreensão na residência do ex-deputado resultou na apreensão de armas e munições
O pedido para regulamentação de visitas ao filho menor também foi negado. A magistrada ressaltou que, questões relacionadas à guarda e convivência, devem ser analisadas pela Vara de Família competente, em procedimento próprio e com base no melhor interesse da criança.
Condenação
O ex-deputado Loester Trutis e a ex-esposa, Raquelle Lisboa Alves, foram condenados, em março, pelo Tribunal Superior Eleitoral por lavagem de dinheiro envolvendo recursos do fundo eleitoral nas eleições de 2022 (ver aqui). Segundo a decisão, houve desvio de R$ 776 mil por meio de empresas de fachada.
A ação teve origem em representação do Ministério Público Eleitoral em Mato Grosso do Sul, instaurada em dezembro de 2022 a partir de reportagens do MS em Brasília que apontaram o uso de empresas sem atividade para movimentação irregular de recursos de campanha.
























