COLUNA VAPT-VUPT (*)
A crise desencadeada na semana passada pelo vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ultrapassa as fronteiras nacionais. Em Mato Grosso do Sul, a demora do PL em oficializar as pré-candidaturas do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado Capitão Contar ao Senado também estaria relacionada ao crescente protagonismo exercido por Michelle nas decisões do partido.
Reinaldo e Contar lideram praticamente todas as pesquisas divulgadas nos últimos dois anos, alternando apenas a primeira colocação. Ainda assim, a definição da chapa segue sem conclusão. O MS em Brasília apurou que o impasse observado nacionalmente também se reflete no Estado.
Nos bastidores, dirigentes do partido atribuem parte dessa demora à tentativa de Michelle Bolsonaro de influenciar diretamente a escolha dos candidatos, inclusive em estados onde as pesquisas já apontam um cenário consolidado. O movimento tem provocado desconforto entre lideranças estaduais e dentro da própria família Bolsonaro.
Foi Michelle quem divulgou carta em que o ex-presidente Jair Bolsonaro manifestava apoio ao deputado federal Marcos Pollon na disputa de uma das vagas ao Senado pelo PL. Antes disso, Bolsonaro havia sinalizado apoio à vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, e posteriormente convidado Capitão Contar a deixar o PRTB para ingressar no PL e disputar o Senado.
A indicação mais recente, porém, recaiu sobre Pollon. O problema é que o deputado não consegue transformar sua presença nas redes sociais em intenção efetiva de voto. Nas pesquisas, aparece sistematicamente nas últimas posições entre os principais pré-candidatos, distante do desempenho apresentado por Reinaldo e Contar.
Um dirigente de alto escalão do PL em Brasília, ouvido pelo MS em Brasília na semana passada, afirmou que diversas definições partidárias estão atrasadas em razão das interferências da ex-primeira-dama. Segundo ele, Michelle busca construir um grupo político próprio dentro do partido e da direita, mas sua atuação tem provocado desgaste interno e retardado decisões estratégicas.
“Estamos atrasados. Temos errado tanto na chapa majoritária para a Presidência quanto nas chapas ao Senado nos estados”, afirmou a fonte à repórter Larissa Arruda, em Brasília.
Na avaliação desse dirigente, se prevalecesse exclusivamente a vontade demonstrada pelo eleitor nas pesquisas, a maior parte das candidaturas ao Senado já estaria definida.
Em Mato Grosso do Sul, acrescentou, os números de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar são considerados “excelentes” e colocariam o PL em condições de conquistar as duas vagas em disputa.
O cenário muda completamente quando Pollon é incluído nas simulações. Nos levantamentos divulgados até agora, o deputado aparece entre o sexto e o sétimo lugares, atrás inclusive da senadora Soraya Thronicke. Em algumas projeções, sua presença faz o PL perder a segunda vaga para nomes como Nelsinho Trad, Vander Loubet ou a própria Soraya.
O vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, expondo divergências familiares em praça pública, ampliou ainda mais o desgaste de sua atuação política. Se antes sua influência era exercida principalmente nos bastidores, agora passou a ser alvo de críticas abertas dentro do próprio campo conservador.
Para muitos dirigentes do PL, a ex-primeira-dama precisará decidir se pretende exercer um papel de articulação subordinado à estrutura partidária ou continuar assumindo um protagonismo que, na avaliação de parte da legenda, tem dificultado a construção de consensos e atrasado decisões importantes para 2026.






















