COLUNA VAPT-VUPT (*)
O ex-deputado federal Fábio Trad se filiou ao PT na semana passada, em Brasília. A ficha de adesão ao maior partido de esquerda foi abonada pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
O ato sugere mais incerteza do que virada política definitiva de um político instável, assim como ocorre com seus irmãos mais velhos, o senador Nelsinho Trad (PSD) e o vereador Marquinhos Trad (PDT), que vagueiam por diversas siglas partidárias em busca de acomodação mais confortável.
A saída de Fabio Trad do PSD não se deve a afinidade com as bandeiras da esquerda, e sim a tensões políticas nacionais que o colocaram em rota de colisão com setores da direita em Mato Grosso do Sul.
O ato sugere mais incerteza do que virada política definitiva de um político instável
Pessoas próximas revelam que ele não engoliu o fato de não ter sido reeleito em 2022, quando já era oposição ao então presidente Jair Bolsonaro e a tudo o que se relacionava à direita. Virou crítico implacável do bolsonarismo.
Antes disso, contudo, em novembro de 2018, Fabio se dizia “muito feliz” por ter tido a segunda maior votação entre os oito eleitos a deputado federal, com 89.385 votos. Desse total, mais de 57 mil foram dados pelos campo-grandenses, de maioria do eleitorado conservador e bolsonarista (vídeo abaixo).
Agradeceu aos eleitores, reiterando a força de Bolsonaro na eleição de diversos nomes desconhecidos. “Não é sempre que há fenômenos eleitorais, como ocorreu com Bolsonaro agora (2018) e antes no Plano Cruzado em 1986, quando o MDB elegeu 23 governadores”, descreveu o deputado recém-eleito com maioria de votos do bolsonarismo.
“Não é sempre que há fenômenos eleitorais, como ocorreu com Bolsonaro agora (2018)” — Fabio Trad em novembro de 2018
Até então, Fabio havia cumprido apenas um mandato direto em Brasília e o outro como suplente. Em 2019, assumiu como dono da vaga direta, repita-se, com apoio do bolsonarismo.
“Muito feliz. Satisfeito com a resposta positiva, que traduz a confiança do povo campo-grandense e sul-mato-grossense no meu trabalho. Ser deputado eleito com a maior votação de Campo Grande significa a obrigação inadiável de corresponder às expectativas daqueles que colocaram meu número nas urnas”, declarou Trad, em entrevista à Rádio CBN de Campo Grande.
Nessa mesma entrevista, disse que o então presidente eleito Bolsonaro havia apresentado propostas inovadoras sobre o relacionamento do Governo com o Congresso, como negociar a aprovação de reformas importantes para o país sem o velho modelo de “toma-lá-dá-cá”, centrado no fisiologismo.
“Ser deputado eleito com a maior votação de Campo Grande significa a obrigação inadiável de corresponder às expectativas daqueles que colocaram meu número nas urnas” — Fabio Trad sobre ter tido a maior votação na capital
“É um passo à frente. O Parlamento brasileiro precisa se desvencilhar dessa política pequena, miúda, do toma-lá-dá-cá, até mesmo para se afirmar junto à opinião pública como poder autônomo, digno de credibilidade e respeito pelo povo”, descreveu.
Embora tenha sido eleito com o voto de maioria dos bolsonaristas, assim como a senadora Soraya Thronicke (Podemos), até então mera organizadora de movimentos de rua contra a esquerda, além de deputado federal como Loester Trutis, Fabio Trad assumiu papel de oposição ao governo Bolsonaro.
O MS em Brasília publicou uma série de manifestações de Fabio Trad entre 2020 e 2023, que deixam clara a sua trajetória marcada pelo amargor. Primeiro, como deputado, adotou um tom agressivo contra a direita após 2018, transformando-se em inimigo declarado do bolsonarismo. Depois, em 2022, com a derrota eleitoral, passou a ecoar frustrações típicas de quem perdeu espaço político.
O MS em Brasília publicou uma série de manifestações de Fábio Trad entre 2020 e 2023, que deixam clara a sua trajetória marcada pelo amargor
Por fim, já no governo Lula, aceitou um cargo de baixo escalão no Ministério do Turismo, função que simboliza mais um rebaixamento do que uma ascensão, reforçando a imagem de um político que perdeu protagonismo e tenta se manter relevante à base de ressentimento.
Isso marcou a sua ruptura definitiva com setores conservadores, aproximando-o cada vez mais da esquerda e culminando na filiação ao PT semana passada.
Quanto ao futuro, o neopetista deve optar por não se lançar ao Governo do Estado, evitando ser mero “boi de piranha” contra Eduardo Riedel, agora no PP, favorito à reeleição. Sua estratégia é tentar voltar à Câmara dos Deputados, mas a maior questão é reconstruir uma base eleitoral capaz de garantir votos suficientes, depois de anos de desgaste político.
Fabio deve optar por não se lançar ao Governo do Estado, evitando ser mero “boi de piranha” contra Eduardo Riedel
Há, pela frente, um cenário difícil: sem apoio da direita, possivelmente com rejeição interna no PT e forte concorrência de deputados já consolidados, como Vander Loubet e Camila Jara, que devem disputar a reeleição, de onde Trad irá tirar os votos necessários para se eleger?
A ver.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público



























