ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
O argentino Juan Pablo Vojvoda não tem escalado os melhores jogadores do elenco, embora o autor destas linhas reconheça a dificuldade de encontrar peças que se encaixem no esquema tático do Santos.
Mesmo acompanhando de longe, pela TV ou arquibancada, é evidente que falta ao time competitividade e intensidade.
A explicação não é complicada: para competir é preciso, acima de tudo, preparo físico impecável e jogadores habituados ao jogo intenso. Grande parte dos atletas escolhidos para iniciar as partidas não reúne essas qualidades. Pior ainda: Vojvoda insiste em manter o que não vem funcionando.
Na minha visão, o meio-campo deveria ser formado por Arão, Zé Rafael, Bontempo e Neymar. No ataque, velocidade e capacidade de finalização são essenciais. Mas só temos Robinho Jr., Tiquinho, Lautaro, Guilherme e Caballero.
Para o próximo jogo contra a Sociedade Esportiva Palmeiras (SEP), eu escalaria Guilherme (não adianta o torcedor torcer o nariz, mas é o atacante de melhor aproveitamento) e Tiquinho desde o início. Muitos dizem que Tiquinho “não dá”, mas ele raramente começa jogando e só entra quando o time está atrás no placar.
A responsabilidade de resolver está sempre sobre ele e não podemos esperar tabelas mágicas com Neymar ou Rollheiser. Tiquinho é jogador de área.
Vojvoda, repito, precisa estudar melhor a formação do Santos. Não podemos mais errar. A defesa, por exemplo, tem sido uma verdadeira peneira. Entre os zagueiros, Zé Ivaldo é o menos ruim e não pode ficar no banco para Adonis Frías ou Luan Peres jogar.
Contra a SEP, estratégia será fundamental. E estratégia não significa “covardia”. Marcar, roubar a bola e deixar de jogar é o caminho mais curto para mais uma derrota.
Uma formação com três zagueiros (Escobar compondo o setor), liberando Igor Vinicius e Souza para avançar, pode ser a solução.
Neymar, se decidir jogar no sintético (eu não recomendaria) teria liberdade para armar as jogadas, explorando a velocidade de Guilherme e Lautaro ou Tiquinho para prender os zagueiros rivais. Sem o craque, Rollheiser entraria na armação.
Insisto no que venho dizendo há dois meses: Rollheiser, Schmidt, Victor Hugo e Barreal juntos significam uma carreta carregada subindo a serra de Santos.
Com Neymar em campo, outro jogador que marcará pouco, aumenta a falta de combatividade. Ocorre que Neymar precisa jogar. Se for necessário deixar os argentinos no banco para isso, que fiquem.
O que não dá mais é continuar com um time sem competitividade, justamente na reta final do campeonato.
Uns bons gritos no vestiário, combinados com a escolha mais acertada dos jogadores, ainda podem nos salvar — mesmo que a permanência na Série A seja mais por mérito culposo do que por merecimento real.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
Perfil Twitter: @actbrasilia



























