ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
O Santos parece ter firmado algum tipo de acordo com aquela entidade das trevas especializada em angústia e sofrimento. Não é razoável imaginar que a torcida suportará mais um ano de penúria, o sexto consecutivo entre 2021 e 2026.
Após escapar de um segundo rebaixamento consecutivo (sim, consecutivo, considerando que o Santos disputou a Série A em 2023 e 2025), havia a sensação de que o caminho para 2026 estava minimamente organizado.
A renovação do contrato de Neymar era iminente, o que, de fato, ocorreu sem contratempos. Já o possível retorno de Gabriel nunca me empolgou, embora minha opinião, como torcedor, valha tanto quanto opinar sobre a política econômica do país.
Não é razoável imaginar que a torcida suportará mais um ano de penúria
O fato é que o Santos se enfraqueceu. As saídas do atacante Guilherme e do lateral Souza, ambos por quantias irrisórias, significaram a perda de dois titulares.
Gabriel não repõe a ausência de Guilherme porque atuam em posições distintas. Logo, o elenco terá, obrigatoriamente, de ser recomposto.
A venda de Souza, aliás, é algo que sigo sem aceitar, independentemente dos argumentos apresentados. O valor anunciado, de 15 milhões de euros, é muito inferior às qualidades do atleta, futuro dono da lateral esquerda do Brasil. Só deveria ter saído por, pelo menos, 20 milhões de euros.
No caso da lateral, a reposição é ainda mais delicada. Escobar deve herdar a titularidade, com Vinícius Lira como alternativa. Acredito que, com sequência de jogos, o garoto possa assumir a posição do esforçado, porém limitado, lateral argentino.
A venda de Souza, aliás, é algo que sigo sem aceitar, independentemente dos argumentos apresentado
Giuliano Bertolucci é novamente personagem da negociação de mais um menino do Santos. Isso me incomoda. O empresário foi um dos pilares da gestão Rueda, período em que o Santos entregou ativos a preços vis, enquanto trouxe jogadores de qualidade duvidosa, sempre amparados por contratos longos e salários elevados.
O problema, porém, é mais amplo. O Santos precisa, com urgência, de dois atacantes de lado e um meia de criação. Hoje, há apenas Rollheiser para essa função — e ele ainda não se firmou. Alterna bons momentos com longos períodos de inconstância.
Proporia uma troca, por empréstimo, do argentino pelo meia-atacante Savarino, do Botafogo, com direitos econômicos previamente fixados para ambos. É evidente que Rollheiser possui maior valor de mercado, é mais jovem e chegou ao Santos cercado de grande expectativa em relação ao seu futebol.
O venezuelano do Botafogo, no entanto, oferece maior versatilidade tática. Pode atuar como meia, jogando atrás dos atacantes, ou ser deslocado para os lados do campo. No desenho atual do Santos, por exemplo, haveria espaço para uma formação com Neymar, Savarino e Gabriel no setor ofensivo.
Giuliano Bertolucci é novamente personagem da negociação de mais um menino do Santos. Isso me incomoda.
As opções de zagueiros disponíveis hoje também parecem insuficientes para um clube que, ao menos no discurso, almeja disputar títulos em 2026. Falta um defensor indiscutível, acima de qualquer dúvida técnica, capaz de liderar o setor e transmitir segurança ao time.
Em 2025, o ataque já havia sido enfraquecido com a venda de Luca Meirelles e a devolução de Deivid Washington ao Chelsea. Agora, no início de 2026, o roteiro se repete.
O torcedor santista precisa de uma dose quase irracional de amor ao clube para não abandonar tudo. Porque, até aqui, o Santos de 2026 entrega menos esperança e mais do mesmo sofrimento que insiste em se repetir.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
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