ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
Torcedores registraram a chegada do ídolo Mengálvio à Vila Belmiro antes da partida contra o Internacional, disputada no último dia 15 de março. As imagens que circularam nas redes sociais causaram indignação (ver abaixo vídeo do perfil Santistas de Guarulhos).
Aos 86 anos, um dos nomes mais marcantes da história do Santos, integrante de gerações históricas ao lado de Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e Zito, hoje enfrenta limitações de mobilidade e se desloca em cadeira de rodas.
O que encontrou, porém, foi um cenário incompatível com sua trajetória. A Vila Belmiro, embora simbólica, não oferece estrutura mínima de acessibilidade. Sem rampas adequadas, Mengálvio teve dificuldade para chegar ao seu lugar. É o retrato de um estádio que já não atende nem ao básico.
O episódio escancara um problema que vai além de uma falha pontual. Há anos, o Santos convive com a incapacidade de modernizar sua principal casa, mesmo após sucessivas promessas de solução.
Em outubro de 2020, o Conselho Deliberativo aprovou o projeto de uma nova Vila Belmiro, apresentado na gestão de José Carlos Peres, com participação da WTorre. A proposta previa uma arena moderna, com capacidade para cerca de 30 mil pessoas.
Se o plano tivesse avançado, o Santos provavelmente já estaria atuando em um estádio mais moderno desde 2024.
O projeto, no entanto, foi engavetado na gestão de Andrés Rueda. À frente do clube entre 2021 e 2023, Rueda não apenas abandonou a iniciativa como conduziu o Santos ao pior momento de sua história recente: o inédito rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2023, após mais de um século na elite.
Eleito na sequência, Marcelo Teixeira prometeu destravar o projeto e entregar ao clube um estádio compatível com sua grandeza. Até agora, porém, não há avanço concreto. A promessa segue sem sair do papel.
A condução do tema também é alvo de críticas pela falta de transparência. Nunca houve comunicação clara ao torcedor sobre o destino da Vila Belmiro ou sobre a real viabilidade de sua demolição.
O projeto, no entanto, foi engavetado na gestão de Andrés Rueda
Nos bastidores, surgem versões distintas: fala-se em uma possível arena em São Vicente, associada a uma proposta de Neymar pai, ao mesmo tempo em que aparecem informações sobre reformas pontuais na própria Vila.
Sem clareza, o torcedor se afasta. E, sem confiança, perde-se até o engajamento, inclusive financeiro, da base de sócios.
Enquanto isso, a realidade se impõe. Ídolos como Mengálvio seguem enfrentando dificuldades para acessar um estádio que ajudaram a transformar em símbolo do futebol mundial, hoje distante da própria história que representa.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).
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