LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) voltou a protagonizar, na última quarta-feira (18), durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, um episódio de constrangimento no Senado (ver vídeo).
Desta vez, a parlamentar precisou retirar um requerimento em que propunha a convocação de uma ex-assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no âmbito de apurações sobre o uso de cartões corporativos durante o governo Jair Bolsonaro.
O pedido foi questionado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que apontou a falta de relação entre a convocação e o foco da comissão, voltado ao combate ao crime organizado.
“Fomos surpreendidos com requerimentos para convocação de pessoas sem qualquer vinculação com o crime organizado, como a ex-assessora da ex-primeira-dama. A impressão é que esta comissão está sendo usada para fazer jogo político baixo”, afirmou.
Soraya precisou retirar um requerimento em que propunha a convocação de uma ex-assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
Em seguida, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) reforçou que não há qualquer menção ao Banco Master nas investigações sobre cartões corporativos.
“É preciso tratar com seriedade o que estamos fazendo. Estamos mexendo com gente poderosa, gente que tem muito dinheiro. Se começarmos a usar isso para briga política rasteira, é a receita do fracasso”, disse.
Diante das contestações, Soraya recuou e atribuiu o erro à própria assessoria. Inicialmente, insistiu na existência de irregularidades envolvendo cartões corporativos.
Minutos depois, porém, ao ser confrontada por Moro e informada pelo relator de que o requerimento não fazia qualquer referência às alegações apresentadas, reconheceu a inconsistência — esvaziando a própria justificativa do pedido.
“É preciso tratar com seriedade o que estamos fazendo” — Relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, sobre requerimento de Soraya
O episódio foi destacado pelo jornalista Felipe Moura Brasil, em seu canal no YouTube.
“Foi uma falha da assessoria?! Não mete essa, Soraya. Aí é demais! Tem que assumir a responsabilidade. A gente está lidando com assunto muito sério, como disse o relator. Se não fez o dever de casa, se não revisou o texto feito por um assessor, que não coloque, que não defenda que vá à votação. Episódio lamentável”, concluiu.




















