LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Campo Grande voltou a figurar entre as piores situações fiscais de Mato Grosso do Sul em 2025. Dados do Tesouro Nacional, obtidos pelo MS em Brasília em primeira mão, mostram que a Capital recebeu nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), o quarto pior desempenho entre os 79 municípios do Estado.
O resultado confirma um problema que atravessa sucessivas administrações há mais de uma década, sem que as contas públicas sejam efetivamente saneadas.
A Prefeitura de Campo Grande ficou a menos de dois pontos percentuais do limite que caracteriza o desequilíbrio fiscal. A chamada poupança corrente — indicador que mede a relação entre receitas e despesas correntes — atingiu 98,19%. Quanto mais próximo de 100%, menor é a capacidade do município de gerar recursos próprios para investimentos e honrar compromissos financeiros.
Além de Campo Grande, outros 16 municípios receberam nota C, classificação que impede as prefeituras de contratar empréstimos com garantia da União, além de restringir o acesso a operações de crédito em condições mais favoráveis.

O pior resultado do Estado foi registrado por Ivinhema. Segundo o Tesouro Nacional, a poupança corrente chegou a 148,53%, indicando que a administração municipal gastou cerca de 48% a mais do que arrecadou em receitas correntes.
Na sequência aparece Santa Rita do Pardo, com índice de 100,56%, já acima do limite. Bela Vista ficou em terceiro lugar, com 99,22%, a menos de um ponto percentual de também ultrapassar esse patamar.
Em sentido oposto, 62 dos 79 municípios sul-mato-grossenses encerraram 2025 com as contas equilibradas, o equivalente a quase 80% das prefeituras do Estado. Para isso, é necessário obter classificação A ou B na Capag.
Os municípios que, além do equilíbrio fiscal, mantêm regularidade nas prestações de contas recebem uma classificação adicional, passando a ostentar os conceitos A+ ou B+.

Em Mato Grosso do Sul, apenas quatro cidades conquistaram nota A+: Iguatemi, Paraíso das Águas, Pedro Gomes e São Gabriel do Oeste. Já Nova Andradina, Corumbá e Ponta Porã receberam classificação B+.
Os números reforçam que o problema fiscal da Capital não é circunstancial. Apesar das mudanças de comando na Prefeitura ao longo dos últimos anos, Campo Grande continua entre os municípios com maior dificuldade para equilibrar receitas e despesas, situação que compromete a capacidade de investimento e limita o acesso a financiamentos com garantia da União.
Governo do Estado
A gestão do governador Eduardo Riedel (PP) passou a ostentar nota B+ na avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag) em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional, desempenho superior ao registrado por Campo Grande.
Durante agenda com prefeitos no interior na semana passada, Riedel atribuiu o resultado à combinação entre eficiência administrativa, controle das despesas e responsabilidade fiscal.
No início deste ano, o Governo do Estado anunciou um pacote de medidas de contenção de gastos, antecipando-se à redução na arrecadação provocada pela queda das receitas de ICMS incidente sobre a importação do gás natural da Bolívia.
A estratégia buscou preservar o equilíbrio das contas públicas e manter a capacidade de investimento do Estado, mesmo diante da perspectiva de desaceleração na arrecadação.
Colaborou Brunna Salvino, de Campo Grande



















