BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE | LARISSA ARRUDA, DE BRASÍLIA
Pré-candidato do PT ao Governo de Mato Grosso do Sul, o ex-deputado federal Fábio Trad adota hoje um posicionamento político bem diferente daquele que marcou sua atuação na Câmara dos Deputados, quando defendia o endurecimento do combate à corrupção e fazia críticas à condução administrativa e econômica dos governos petistas.
Na época, adversário político de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff e hoje filiado ao PT e aliado do presidente, Trad apresentou, em dezembro de 2013, um projeto de lei para incluir os crimes de corrupção e peculato no rol dos crimes hediondos. A proposta foi protocolada após o julgamento do mensalão e o início da Operação Lava Jato, deflagrada em 17 de março de 2014.
À época, os escândalos do mensalão e, posteriormente, do petrolão dominavam o cenário político nacional. As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal apontavam um amplo esquema de corrupção envolvendo recursos públicos, especialmente da Petrobras.
Trad apresentou, em dezembro de 2013, um projeto de lei para incluir os crimes de corrupção e peculato no rol dos crimes hediondos
Em ambos os escândalos, Lula foi apontado pelas investigações do MPF como mentor dos esquemas de corrupção. No caso do petrolão, chegou a ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas as condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 por questões processuais relacionadas à competência do juízo que conduziu os processos.
O projeto de Fábio Trad unificava o conteúdo de quatro propostas que já tramitavam na Câmara dos Deputados. Além de classificar corrupção e peculato como crimes hediondos, o texto aumentava as penas e estabelecia punições mais severas quando os delitos fossem praticados por integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A proposta também vedava a concessão de anistia, graça, indulto e liberdade provisória mediante pagamento de fiança, além de dificultar a progressão de regime para os condenados.
Em ambos os escândalos, Lula foi apontado pelas investigações do MPF como mentor dos esquemas de corrupção
Na justificativa, Trad defendia o endurecimento da legislação como forma de combater a corrupção na administração pública e reforçar a proteção ao patrimônio do Estado.
“Impeachment é legal”
Após deixar a Câmara dos Deputados, Fábio Trad manifestou-se favoravelmente ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Em entrevista concedida à imprensa de Mato Grosso do Sul, afirmou que “a imputação aponta a existência de operações financeiras envolvendo bancos públicos que, em tese, seriam ilegais”.
Segundo ele, as chamadas “pedaladas fiscais” configurariam uma modalidade irregular de financiamento do governo por bancos públicos, em razão da falta de repasses do Tesouro Nacional.
Fábio Trad manifestou-se favoravelmente ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff
Trad citou, como exemplo, a ausência de repasse de R$ 3,5 bilhões ao Banco do Brasil em 2015 e sustentou que a legislação proíbe empréstimos de instituições financeiras públicas ao governo federal.
Também mencionou os decretos de abertura de créditos suplementares sem autorização prévia do Congresso Nacional como um dos fundamentos jurídicos do pedido de impeachment.
Postura crítica ao PT
Durante seus mandatos como deputado federal, Fábio Trad adotou postura crítica em relação a políticas econômicas dos governos do PT e aos casos de corrupção que marcaram o período.
Na área econômica, questionou a expansão dos gastos públicos e o elevado grau de intervenção estatal na economia.
Na área econômica, questionou a expansão dos gastos públicos
No período de maior repercussão da Operação Lava Jato, também defendeu publicamente o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção e da moralidade administrativa.
No Congresso Nacional, alinhado às posições de seu partido à época, frequentemente votou em sentido diverso dos governos de Lula e Dilma em temas econômicos e institucionais.


















