BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE
O Instituto Veritá e o pré-candidato ao Senado nas próximas eleições, o deputado federal Marcos Pollon (PL), vêm desrespeitando ordem da Justiça Eleitoral que proíbe a divulgação de dados de pesquisa registrada em 13 de abril no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
O levantamento foi impugnado por decisão judicial proferida em 18 de abril e reforçada no dia 23. Segundo o juiz Vítor Luís de Oliveira Guibo, houve descumprimento deliberado da medida.
“A decisão que determinou a imediata suspensão da divulgação da pesquisa MS-00490/2026, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, foi deliberadamente descumprida”, registrou.

Nos últimos dias, o instituto tem publicado conteúdos destacando decisões da Justiça Eleitoral, mas sem esclarecer que a liberação mencionada se refere a outro levantamento — o 0600005-12.2026.6.12.0036 — vinculado à pesquisa registrada em 23 de março, e não à que foi barrada.
Na decisão mais recente, o magistrado manteve a multa diária de R$ 5 mil em caso de novas divulgações e determinou o envio do caso à Procuradoria Regional Eleitoral, que deverá analisar o descumprimento e adotar as medidas cabíveis.
Pollon explica
Principal interessado nos números impugnados, Marcos Pollon afirmou, em nota, que as informações divulgadas por ele “tiveram origem em conteúdo público disponibilizado pelo próprio Instituto Veritá em seus canais oficiais, além de ampla repercussão em veículos consolidados da imprensa sul-mato-grossense”.
Disse ainda que “não integra a relação processual da medida mencionada, razão pela qual não houve qualquer intimação ou dever jurídico de ciência sobre eventual restrição à divulgação daquele material”.

Questionado se a divulgação de números proibidos pela Justiça Eleitoral não seria injusta ou antiética com o eleitor, que acaba exposto a dados impugnados, respondeu que “não há qualquer injustiça na conduta adotada” e que “injusto é tentar atribuir irregularidade onde não houve, especialmente a partir de uma leitura descontextualizada dos fatos”.
As explicações, no entanto, não esclarecem por que o parlamentar manteve a divulgação de números barrados pela Justiça, como ocorreu nesta segunda-feira (27), mesmo após duas decisões judiciais, de 18 e 23 de abril.
Veritá
A reportagem procurou o Instituto Veritá para comentar a divulgação dos dados impugnados. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.





















