LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Em 12 de novembro de 2024, a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 incendiou o plenário da Câmara dos Deputados. Entre os mais entusiasmados defensores da medida estava o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP), presidente do diretório estadual do PT em São Paulo.
As informações são do site O Antagonista.
Da tribuna, Celeguim discursou em defesa dos trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas. Afirmou que muitos brasileiros estariam adoecendo em razão das condições de trabalho e criticou a baixa remuneração de parte dos empregos criados no país.
“Há estudos mostrando que as pessoas estão ficando doentes, estão desistindo e procurando serviços de saúde ou licenças em função da alta carga de trabalho”, declarou o parlamentar na ocasião.
Da tribuna, Celeguim discursou em defesa dos trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas
O discurso, porém, contrasta com uma ação trabalhista que tramita na Justiça do Trabalho de São Paulo.
Em processo obtido com exclusividade por O Antagonista, o motorista Cristiano Teles de Oliveira acusa o deputado de submetê-lo a jornadas de até 16 horas diárias, sem folga semanal em determinados períodos, além de mantê-lo por mais de dois anos sem registro em carteira.
A ação foi protocolada em 5 de março na 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha (SP) e cobra R$ 395,1 mil em verbas trabalhistas e indenizações.
Segundo a petição inicial, Cristiano foi contratado em agosto de 2022 para atuar como motorista durante a campanha eleitoral de Celeguim e permaneceu na função até janeiro de 2025, já durante o mandato parlamentar.
A ação foi protocolada em 5 de março e cobra R$ 395,1 mil em verbas trabalhistas e indenizações
O ex-funcionário afirma que recebia R$ 3,8 mil mensais, pagos em dinheiro, sem registro formal do vínculo empregatício. Sustenta ainda que trabalhava das 6h às 22h, de segunda a segunda-feira, sem intervalo para almoço.
De acordo com a ação, as atividades iam além dos compromissos políticos do deputado. Cristiano afirma ter prestado serviços particulares à família de Celeguim, conduzindo a esposa, os filhos e a empregada doméstica. A petição relata ainda que ele era responsável por levar os cães da família ao pet shop.
Na ação, o motorista pede o reconhecimento do vínculo empregatício e o pagamento de aviso prévio, férias, 13º salário, FGTS, horas extras, contribuições previdenciárias e multas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Também requer indenização de R$ 20 mil por danos morais e compensação por danos materiais.
Cristiano afirma ter prestado serviços particulares à família de Celeguim, conduzindo a esposa, os filhos e a empregada doméstica
Em síntese, o ex-funcionário busca na Justiça direitos trabalhistas frequentemente defendidos pelo próprio PT em seus posicionamentos públicos.
O processo ainda não teve julgamento de mérito. O deputado será citado para apresentar sua defesa, e as alegações feitas pelo ex-motorista serão analisadas pela Justiça do Trabalho.





















