LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Ainda sob o impacto da derrota nas urnas no domingo (4), a senadora Soraya Thronicke (PSB) foi hostilizada por passageiros durante um voo de Campo Grande a São Paulo, na manhã de segunda-feira (5), segundo relatos de pessoas que estavam na aeronave.
A parlamentar terminou em quarto lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul, com 340 mil votos, atrás do petista Vander Loubet, que recebeu 361 mil. As cadeiras ficaram com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, que conquistaram 903 mil e 856 mil votos, respectivamente.
De acordo com os relatos, Soraya ouviu xingamentos e provocações de alguns passageiros. Em determinado momento, reagiu dizendo que “estava em paz”.
Pessoas que acompanharam o episódio também afirmaram que, durante o trajeto de uma hora e meia, a senadora tinha em mãos um livro sobre como dormir bem.
Soraya desembarcou no Aeroporto de Congonhas. Não foi possível confirmar se permaneceria na capital paulista ou se seguiria para outro destino.
A parlamentar terminou em quarto lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul
Mandato turbulento
Eleita em 2018 na onda bolsonarista, a parlamentar encerrará o mandato em 31 de janeiro de 2027. Sua passagem pelo Senado foi marcada por mudanças de alinhamento político e controvérsias, incluindo a proximidade com o lobista Silvio Barbosa de Assis, investigado pela Polícia Federal por supostos pedidos de propina a empresários do setor de apostas (ver aqui).

Reportagens apontaram que a irmã e o genro do lobista trabalhavam no gabinete da senadora. À época, Soraya contestou as suspeitas sobre sua atuação, afirmou que as contratações seguiram critérios técnicos e colocou seus sigilos à disposição da investigação. Silvio também negou ter pedido propina.
Soraya também foi alvo de denúncia publicada pelo MS em Brasília em junho de 2024 sobre a contratação do próprio cunhado no Senado, com salário bruto superior a R$ 17 mil. Trata-se do agricultor familiar Joeldo de Oliveira, irmão do empresário Carlos César Batista, marido da senadora. Segundo a reportagem, ele estava lotado no escritório de apoio da parlamentar em Campo Grande (ver aqui).
Eleita em 2018 na onda bolsonarista, a parlamentar encerrará o mandato em 31 de janeiro de 2027
A senadora também protagonizou, ao lado do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-relator da CPMI do INSS.
Gaspar nega a acusação e afirma ser alvo de uma armação política. A denúncia motivou diligências solicitadas pela Procuradoria-Geral da República à Polícia Federal, enquanto o STF pediu esclarecimentos aos dois parlamentares.
Em outra frente, emendas Pix indicadas pela parlamentar passaram a ser alvo de fiscalização sobre a transparência, a rastreabilidade e a aplicação dos recursos.
Nota sobre a imagem de capa: Foto aprimorada com auxílio de inteligência artificial para melhorar a nitidez e ajustar o enquadramento, com base na cena original.
























