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Home Política

Parlamentares de MS propõem projetos inúteis, confusos e repetidos

Para mostrar trabalho, deputados da nova legislatura sugeriram leis sobre assuntos já tratados por seus colegas neste ano ou em anos anteriores.

REDAÇÃO Por REDAÇÃO
27 de agosto de 2019
em Contas, Polícia, Política, Transparência
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Parlamentares de MS propõem projetos inúteis, confusos e repetidos

No Senado e na Câmara, mesmo que já tenha projeto igual, parlamentar pode apresentar sua proposta

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Oito dos 11 parlamentares sul-mato-grossenses em Brasília apresentaram projetos inócuos e repetidos na Câmara e no Senado, entre fevereiro e agosto deste ano. É o que revela levantamento feito pelo MS em Brasília.

Somente os senadores Nelsinho Trad (PSD) e Simone Tebet (MDB), além do deputado Dagoberto Nogueira (PDT), não propuseram projeto estranho ou “infrutífero” nesse período.

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Com apoio de cientista político e consultor legislativo, o MS em Brasília constatou que a ocorrência mais comum foi a apresentação de projetos repetidos. Quando isso ocorre, o “projeto cópia” não é arquivado. Passa a tramitar em conjunto com o mais antigo.

Esse foi o caso de sete dos oito projetos que a deputada Rose Modesto (PSDB) apresentou entre fevereiro e agosto. O único projeto inédito da tucana foi o que “institui o Dia Nacional de Combate ao Feminicídio no Brasil”. Todos os demais temas tinham matéria legislativa em tramitação, o que torna inútil a ação de Modesto.

O deputado Loester Trutis (PSL) propôs projeto que trata da “concessão automática de registro aos medicamentos que já tenham sido autorizados por autoridades sanitárias de outros países”. A proposta de Trutis foi anexada a uma outra apresentada antes da dele.

O mesmo ocorreu com projeto do deputado Beto Pereira (PSDB) sobre a “transferência de comemoração dos feriados nacionais para segunda-feira, quando caírem em outros dias da semana”. Levantamento do MS em Brasília mostra que havia dezenas de projetos idênticos quando o tucano apresentou o seu.

A deputada Bia Cavassa (PSDB) propôs matéria que “dispõe sobre o fornecimento de equipamentos a comunidades não atendidas com energia elétrica”. Há projeto idêntico de 2018. Cavassa também sugeriu projeto sobre a “monitoração eletrônica do agressor como uma medida protetiva de urgência”. O tema já constava de projeto.

Todas as propostas de senadores e deputados são elaboradas por consultores legislativos. Os parlamentares são alertados sobre a redundância de matérias para evitar trabalho desnecessário à Casa. Mesmo assim muitos deles preferem propor o texto porque conta como “projeto apresentado”.

Propostas confusas

Há também sugestões de assuntos já previstos em lei, ou que causem confusão. É o caso do deputado Fábio Trad (PSD), que propôs projeto que regulamenta as profissões de técnico e auxiliar em saúde bucal. A matéria pode gerar o surgimento de “especialistas diversos em saúde bucal” e confundir a população.

O deputado Luiz Ovando (PSL) apresentou projeto que “proíbe a instituição do horário de verão”. A matéria invade a competência do Executivo, ao qual cabe zelar para que o abastecimento de energia seja suficiente para atender demandas da indústria e da população.

Bia Cavassa quer que a Receita Federal “destine mercadorias apreendidas a mulheres vítimas de violência doméstica”. Ocorre que o Fisco dispõe de moderna legislação que regula o destino de bens apreendidos, na qual prioriza o atendimento de pedidos feitos por entidades sociais.

A deputada também propôs projeto que “dispõe sobre o atendimento prioritário para população do campo, floresta e das águas no SUS”. O atendimento médico é classificado pelo risco de saúde do paciente. Há um protocolo mundial sobre o acolhimento de pacientes na rede hospitalar, o que torna inútil a medida.

Já o deputado Vander Loubet (PT) apresentou projeto de lei que concede benefícios tributários a empresas que contratem trabalhadoras que sejam mães de crianças de até 14 anos. Na justificativa, o parlamentar se limita a citar dados sobre a situação da mulher no mercado de trabalho, o que torna a proposta vazia.

Causa própria

Metade dos oito projetos propostos pela senadora Soraya Thronicke trata sobre questões judiciais, área de atuação da parlamentar, que é advogada. Projetos que alteram minúcias do processo civil.

É o caso da proposta nº 3799, que “dispõe sobre a sucessão em geral, a sucessão legítima, a sucessão testamentária, o inventário e a partilha”. Na avaliação do MS em Brasília, Thronicke usou o mandato popular para beneficiar sua categoria profissional.

Outro lado

O MS em Brasília procurou os oito parlamentares citados na reportagem: sete deputados e uma senadora. Eles tiveram duas semanas para dar suas versões. Apenas a deputada Bia Cavassa respondeu aos questionamentos.

Segundo ela, houve consulta sobre a existência de projetos com o mesmo assunto. “Mesmo constatando a existência de um similar, entendemos que os que foram apresentados complementam e aprimoram o tema”, esclareceu a assessoria.

Tags: ApensadobrasíliacâmaracontasdeputadosleiMato Grosso do SulMDBMSMS em BrasíliaNelsinho TradparlamentarespolíticaprojetoPSDPSDBPSLSenadosenadoresSimone TebetSorayatransparência
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