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Deputados estaduais gastam 23% mais e torram R$ 14,6 milhões em 2024

Verba de R$ 58 mil mensais turbina salários de parlamentares, graças a faz de conta sobre a fiscalização dos gastos públicos

REDAÇÃO Por REDAÇÃO
21 de dezembro de 2024
em Contas, Transparência
0
Deputados estaduais gastam 23% mais e torram R$ 14,6 milhões em 2024

Falta transparência na comprovação dos gastos da Assembleia Legislativa de MS, presidida por Gerson Claro (Foto: Divulgação)

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BRUNNA SALVINO, DE CAMPO GRANDE

A bancada de 24 deputados estaduais de Mato Grosso do Sul gastou 23% a mais da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) em 2024 na comparação com o ano anterior. Nesse ano, foram torrados R$ 14,6 milhões, ante R$ 11,9 milhões em 2023.

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O líder em despesas entre janeiro e dezembro é o deputado Coronel David (PL). Ele torrou R$ R$ 671.958,49 em 12 meses, média de R$ 56 mil mensais.

O militar é seguido pelo ex-governador Zeca do PT, que tem gastado dinheiro público sem parcimônia como deputado estadual. O petista torrou R$ 671.601,79, pouco menos de R$ 300 em relação ao primeiro colocado.

Deputado Zeca do PT: tem gastado verba da cota sem parcimônia (Divulgação)

Em terceiro lugar, aparece Antonio Vaz (Republicanos), com R$ 671.449,35, e Pedrossian Neto (PSD) na quarta colocação, cujos gastos totalizaram R$ 671.204,60. Márcio Fernandes (MDB) fecha o top 5, com despesas extras de R$ 670.235,88 (ver quadro).

RANKING DOS GASTOS DE COTA EXTRA DA ALMS EM 2024

POS. NOME VALOR
1ª Coronel David R$ 671.958,49
2ª Zeca do PT R$ 671.601,79
3ª Antonio Vaz R$ 671.449,35
4ª Pedrossian Neto R$ 671.204,60
5ª Márcio Fernandes R$ 670.235,88
6ª Neno Razuk R$ 669.976,80
7ª Lucas de Lima R$ 666.448,93
8ª Renato Câmara R$ 660.428,59
9ª Professor Rinaldo R$ 655.170,05
10ª Jamilson Name R$ 649.851,70
11ª Paulo Corrêa R$ 635.488,46
12ª Mara Caseiro R$ 632.844,47
13ª Roberto Hashioka R$ 632.727,35
14ª Junior Mochi R$ 627.337,89
15ª Pedro Kemp R$ 621.157,63
16ª Lia Nogueira R$ 573.820,93
17ª Pedro Caravina* R$ 554.102,14
18ª João H. Catan R$ 552.621,85
19ª Londres Machado R$ 550.472,54
20ª Gleice Jane R$ 530.994,52
21ª Lidio Lopes R$ 521.168,69
22ª Gerson Claro R$ 512.437,58
23ª Zé Teixeira R$ 492.071,44
24ª Paulo Duarte** R$ 454.727,76

*Os gastos do deputado Pedro Caravina se referem a 11 meses de mandato **Os gastos do deputado Paulo Duarte correspondem a 9 meses de mandato

O dinheiro da CEAP, em tese, deveria ser utilizado de forma criteriosa para, de fato, atender às necessidades do parlamentar no exercício do mandato. Ocorre que a maioria dos serviços previstos nas regras é desnecessária, como o pagamento de consultorias.

Cada parlamentar, além dessa cota, tem dinheiro garantido para a contratação de dezenas de assessores, incluindo advogados, economistas, jornalistas, administradores, entre outros.

Em março de 2023, a Assembleia Legislativa de MS elevou o valor de R$ 36 mil para R$ 58 mil, aumento de 61%.

Outro serviço previsto é a divulgação da atividade parlamentar. A ALMS dispõe de todos os canais de comunicação, como TV, rádio, jornal, além de redes sociais ativas. Não haveria, portanto, a necessidade de gastar recursos públicos com divulgação.

Em janeiro deste ano, o MS em Brasília denunciou o mal uso da cota por três deputados estaduais. Gleice Jane Barbosa (PT), Neno Razuk (PL) e Lia Nogueira (PSDB) utilizaram esses recursos para pagar aluguel de imóvel residencial em Campo Grande, o que não está previsto na legislação sobre a CEAP.

Em janeiro deste ano, o MS em Brasília denunciou o mal uso da cota por três deputados com o pagamento de aluguel de imóveis de luxo na capital

O site também publicou reportagem mostrando que o deputado Renato Câmara (MDB) mantinha quatro escritórios espalhados no Estado, bancados com recursos da cota: Dourados, Ivinhema, Jardim e Juti.

Após a denúncia, a Assembleia suspendeu os pagamentos de aluguel de imóveis de luxo na capital e dos escritórios de apoio em outras cidades, o que pode ter gerado economia de mais de R$ 200 mil anuais.

Valor total das despesas dos 24 deputados em 2024 somente com cota extra: R$14.687.797,85

Consultoria e divulgação

Dos R$ 14,6 milhões torrados em um ano, R$ 5.594.426,82 foram em consultorias, assessorias, pesquisas e trabalhos técnicos. A única forma de comprovação de que esses serviços foram prestados é a nota fiscal. Não há, por exemplo, cópia do trabalho da suposta consultoria feita nem relatório sobre a necessidade do serviço.

Outra despesa bastante utilizada, sem comprovação dos gastos, são as divulgações da atividade parlamentar. Só com esse item os deputados estaduais gastaram R$ 4.262.880,75.

Os serviços de consultorias e divulgação representam, juntos, mais de dois terços (67%) das despesas dos deputados estaduais com a verba extra.

Consultorias e divulgação representam, juntos, mais de dois terços (67%) das despesas

Já os gastos com combustíveis totalizaram R$ 2.077.100,95 e “locomoção do parlamentar e assessores” (passagem, hospedagem e alimentação), R$ 1.715.560,98 em 2024.

Sem comprovação

Os 24 deputados estaduais têm em comum o fato de destinarem mais da metade da cota de R$ 58 mil mensais para consultorias e divulgação, cuja comprovação dos supostos serviços prestados não é necessária, a não ser a apresentação de nota fiscal.

A falta de transparência da Assembleia Legislativa na prestação de contas de recursos públicos utilizados facilita o surgimento de diversas irregularidades com o dinheiro do contribuinte.

No início deste ano, o MS em Brasília encaminhou diversos pedidos de esclarecimentos à Assembleia Legislativa sobre a falta de comprovação dos gastos, acionando inclusive a Ouvidoria, mas não recebeu retorno desde então.

Tags: almsAssembleiaCEAPcomprovaçãoconsultoriasDeputados estaduaisdespesasdivulgaçãoMato Grosso do Sulnota fiscalprestação de contastransparência
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