BRUNNA SALVINO | LARISSA ARRUDA, DE CAMPO GRANDE
Vice-prefeita nas duas administrações de Marquinhos Trad (PDT) em Campo Grande, de 2017 a 2024, Adriane Lopes (PP), 48 anos, enfrentará pela primeira vez o desafio de colocar seu nome à prova dos eleitores.
Casada com o deputado estadual Lídio Lopes (Patriota), com quem tem dois filhos, assumiu o município de forma definitiva em abril de 2022, quando Trad renunciou ao cargo para disputar o Governo do Estado.
Formada em Direito e Teologia, com especialização em Administração Pública e Gerência de Cidades, Adriane se diz de direita e conservadora. Afirma que assumiu a Prefeitura em situação caótica, administrativa e financeiramente. “Quando assumi a Prefeitura, Campo Grande estava no Serasa”, pontua.
A partir da posse como prefeita, as luzes de uma cidade com 900 mil habitantes foram jogadas sobre ela. Não havia mais a sombra do titular do cargo, cuja gestão foi marcada por decisões intempestivas, populismo e malversação de recursos públicos, levando a capital aos piores resultados fiscais de sua história.
A partir da posse como prefeita, as luzes de uma cidade com 900 mil habitantes foram jogadas sobre ela
Adriane Lopes e outros três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas foram convidados para participar de uma série de entrevistas promovida pelo MS em Brasília.
Beto Pereira (PSDB), Camila Jara (PT) e Rose Modesto (União), contudo, não se dispuseram a responder perguntas sobre os principais problemas de Campo Grande, frustrando o debate de ideias para melhor compreensão dos eleitores.
Caso todos os quatro candidatos fossem participar da rodada de entrevistas, o material de cada um deles seria publicado em um intervalo de 11 dias, definido por sorteio: 9/9, 12/9, 16/9 e 19/9, de acordo com regras encaminhadas às assessorias dos concorrentes.
Apesar de ter aceitado falar sobre suas propostas, a prefeita não respondeu pontos importantes, como os prazos para resolver os problemas, valores dos investimentos e como fará para conseguir recursos. Esquivou-se também de comentar sobre sua relação com Marquinhos Trad.

Leia a íntegra da entrevista
MS em Brasília — Resumidamente, fale sobre sua trajetória pessoal e política, como idade, formação, grupo político ideológico (direita, esquerda, centro, entre outros), família e até gostos pessoais que queira comentar.
Adriane Lopes — Sou nascida em Grandes Rios, no Paraná. Sou formada em Direito e Teologia, com pós-graduação em Administração Pública e Gerência de Cidades. Minha trajetória política começou como vice-prefeita de Campo Grande, e em 2022, assumi a prefeitura. Como uma política de direita e conservadora, acredito na força do trabalho e do empreendedorismo. Sou casada com Lídio Lopes e mãe de dois filhos. Minha paixão por servir à comunidade me levou a desenvolver projetos sociais que impactam diretamente a vida das pessoas, promovendo transformação e esperança.
MS em Brasília — Por que a senhora quer se reeleger?
Adriane Lopes — Quero continuar como prefeita de Campo Grande para consolidar os avanços que iniciamos nos últimos dois anos. Fiz o maior investimento da história em educação, infraestrutura e inovação, e agora temos a oportunidade de transformar nossa cidade em um polo de desenvolvimento com projetos como a Rota Bioceânica. Meu compromisso é seguir elevando a qualidade de vida da população, com foco em novas oportunidades, crescimento econômico e soluções concretas para antigos desafios. Campo Grande tem um futuro promissor, e estou preparada para fazer nossa cidade avançar muito mais.
Quero continuar como prefeita de Campo Grande para consolidar os avanços que iniciamos nos últimos dois anos
MS em Brasília — Cite três prioridades em seu mandato de quatro anos, caso a senhora consiga se reeleger.
Adriane Lopes — Minhas prioridades para os próximos quatro anos, além da Saúde, incluem a Educação, infraestrutura e segurança. Na Educação, nosso foco é continuar ampliando a qualidade do ensino, modernizando escolas e fortalecendo o aprendizado. Na infraestrutura, daremos continuidade às obras de pavimentação e drenagem, melhorando a mobilidade urbana e a qualidade de vida. Já na segurança, vamos intensificar as ações de prevenção e combate à criminalidade, investindo em tecnologia e na capacitação e valorização da nossa Guarda Civil Metropolitana para garantir uma cidade mais segura para todos.
MS em Brasília — Das prioridades listadas acima, como a senhora pretende realizar as mudanças necessárias, como recursos investidos, tempo de execução, entre outras questões essenciais? De onde a senhora irá tirar dinheiro para fazer os investimentos?
Adriane Lopes — Minha proposta para o próximo mandato é transformar Campo Grande com uma gestão eficiente e focada em resultados práticos. Aproveitaremos os recursos disponíveis, combinando orçamento municipal com investimentos estaduais e federais, para assegurar que cada real investido traga retorno para a população. Estou comprometida em transformar a nossa cidade com uma visão progressista. Com a experiência adquirida nos últimos dois anos e o conhecimento profundo das necessidades da cidade, nossa estratégia é clara e bem definida: alocar recursos de forma inteligente e coordenada, garantir a execução dentro dos prazos estabelecidos e monitorar constantemente os resultados para fazer ajustes necessários. Campo Grande será um exemplo de desenvolvimento e qualidade de vida, aproveitando ao máximo cada oportunidade e potencial disponível para nossa capital.
Estou comprometida em transformar a nossa cidade com uma visão progressista
MS em Brasília — Campo Grande tem, em média, 10 mil vagas em falta na educação infantil (EMEI), o que afeta, principalmente, famílias de baixa renda. O que a senhora pretende fazer para resolver a carência de vagas nessa área? Apontar prazo e valor dos investimentos.
Adriane Lopes — Em dois anos, conseguimos reduzir pela metade esse déficit e, nos próximos anos, vamos zerar a fila de esperar com entrega de novas escolas, ampliação de salas de aula, além do reordenamento das vagas existentes, garantindo o acesso a um ensino de qualidade para nossas crianças. O investimento na formação continuada também será uma prioridade para assegurar uma educação eficaz e adaptada às necessidades dos alunos.
MS em Brasília — Saúde é questão vital em uma cidade perto de 1 milhão de habitantes. Como a senhora pretende resolver problemas que se arrastam há anos sem solução, como enormes filas e demora no atendimento, falta de médicos e medicamentos? Citar medidas a serem tomadas, valor dos investimentos e prazo para colocar em prática, sabendo-se que o mandato é de quatro anos.
Adriane Lopes — Em nossa gestão, tiramos do papel um projeto aguardado por mais de dez anos: a construção do Hospital Municipal. Essa nova unidade ampliará o número de leitos e oferecerá mais consultas com especialistas, exames e cirurgias, aliviando a crônica fila de espera. Com planejamento estratégico, garantiremos que materiais, medicamentos e insumos não faltem, além de modernizar os processos para maior agilidade. Investiremos na capacitação dos profissionais, assegurando que, a médio prazo, a saúde em Campo Grande seja transformada e ofereça assistência adequada à população.
Em nossa gestão, tiramos do papel um projeto aguardado por mais de dez anos: a construção do Hospital Municipal
MS em Brasília — A malha viária da capital é de baixa qualidade, exigindo constantemente operações tapa-buracos, sem resolver o problema. O que a senhora pretende fazer em relação a essa questão? Apontar as medidas, o valor dos investimentos, de onde sairá o dinheiro e prazo para execução.
Adriane Lopes — Em nossa gestão, já pavimentamos mais de 150 km de ruas em Campo Grande e requalificamos 80 km de vias, com novas redes de drenagem. A idade média do pavimento da cidade ultrapassa 20 anos, exigindo intervenções urgentes. Para os próximos anos, priorizaremos a implantação de mais 400 km de pavimentação e drenagem em bairros desprovidos de infraestrutura, além de obras de mobilidade urbana e manutenção contínua das vias. Com recursos municipais e parcerias estaduais e federais, garantiremos um investimento robusto para transformar nossa malha viária em um padrão de qualidade e durabilidade.
MS em Brasília — Há dezenas de obras paralisadas, gerando prejuízos de grande monta aos cofres do município e, principalmente, à população. A senhora sabe quantas obras têm paradas e o que será feito com elas? Se decidir pela continuidade, há valor para o reinício de todas elas e prazo para conclusão? A senhora pretende responsabilizar gestores que levaram a essa situação?
Adriane Lopes — Em nossa gestão, retomamos mais de 300 obras paradas, como a EMEI Inápolis, abandonada por 18 anos. Na Saúde, entregamos unidades como as USFs Santa Emília e Jardim Presidente. Reconhecemos que a paralisação de obras gera prejuízos, e por isso, priorizamos a continuidade desses projetos. Para os próximos anos, vamos finalizar as obras iniciadas, com investimentos planejados e parcerias estratégicas, além de fazer novos investimentos.
Reconhecemos que a paralisação de obras gera prejuízos, e por isso, priorizamos a continuidade desses projetos
MS em Brasília — O comércio da área central sofreu revés nos últimos anos, sob a gestão do então prefeito Marquinhos Trad. As reformas na região foram feitas às pressas, sem estudo de impacto aos lojistas. Hoje, há diversas lojas fechadas. A senhora pode nos dizer qual seu projeto para que o comércio volte a ser pujante?
Adriane Lopes — Irei implementar um Programa de Incentivos Fiscais, que prevê a redução do IPTU e ISS para comerciantes que invistam em melhorias e modernizações dos estabelecimentos, além de requalificação de imóveis para uso misto. Também pretendo transferir secretarias e serviços públicos para o centro, incentivando a reocupação da região, tornando-a novamente um polo comercial vibrante. A nossa proposta também inclui a transformação da 14 em um corredor cultural e gastronômico.
MS em Brasília — Campo Grande é a capital que mais gasta com a folha de pessoal, segundo o Tesouro Nacional. Dados de 2023 indicam que o município compromete 53,66% da receita corrente líquida, a 0,34 décimos do limite máximo, de 54%. Já esteve pior. A senhora tem propostas para reduzir esse comprometimento, que causa impacto negativo direto nos investimentos na cidade?
Adriane Lopes — Quando assumi a gestão de Campo Grande, a despesa com pessoal estava em 59,16%, acima do limite prudencial de 54%. Com planejamento e responsabilidade, reduzimos para 53,66%, garantindo a sustentabilidade financeira da administração. Essa redução é um reflexo do nosso compromisso com a eficiência. Nosso foco é continuar otimizando a gestão, mantendo o equilíbrio fiscal sem comprometer os serviços essenciais. Acreditamos que com um controle rigoroso dos gastos e a modernização da máquina pública, podemos assegurar mais recursos para investimentos que beneficiem diretamente a população.
Nosso foco é continuar otimizando a gestão, mantendo o equilíbrio fiscal sem comprometer os serviços essenciais
MS em Brasília — Ainda sobre a questão fiscal, a cidade compromete 96,96% da receita corrente líquida com despesa corrente líquida, conforme a Secretaria do Tesouro Nacional. Logo, o município tem apenas 3,04% de recursos próprios para investir. Que medidas a senhora pretende tomar para que o Executivo gaste menos e garanta mais recursos para investimentos?
Adriane Lopes — Nosso foco é manter uma gestão equilibrada e respeitar o orçamento público, ao mesmo tempo que continuamos a oferecer serviços de qualidade para toda a população. A redução dos gastos com a folha de pagamento é um indicativo claro de que estamos no caminho certo, administrando com seriedade e responsabilidade. Irei propor ainda a revisão dos contratos e habilitações dos serviços que tem outras fontes financiadoras, como o Governo Federal, por exemplo.
MS em Brasília — A senhora pretende registrar seu programa de governo em cartório para que a população possa comparar sua gestão, caso eleita, com o que foi prometido durante a campanha eleitoral?
Adriane Lopes — Não vejo impedimento em registrar meu plano de governo em cartório, mas é importante destacar que o registro no Tribunal Eleitoral já é obrigatório por lei. Meu plano, disponível no site da Justiça Eleitoral e em nossos canais de comunicação, é exequível e baseado em diagnósticos profundos sobre as necessidades de Campo Grande. Ele foi construído com a participação da sociedade e está focado em metas realistas, que visam o crescimento sustentável e inclusivo da cidade. Continuarei trabalhando com transparência e responsabilidade para cumprir esses compromissos.
MS em Brasília — A senhora assumiu a Prefeitura em meio ao caos. O antecessor não tinha responsabilidade fiscal. As despesas com a folha de pessoal e os demais gastos correntes explodiram nos mandatos dele. A senhora assumiu em abril de 2022, mas não tomou medidas amargas, como demitir servidores comissionados. Houve ainda nesses últimos dois anos denúncias sobre licitações direcionadas. A senhora fez algum acordo com Trad para não expor diversas irregularidades?
Adriane Lopes — Quando assumi a Prefeitura, Campo Grande estava no Serasa. Realizamos um diagnóstico profundo da máquina pública e adotamos medidas emergenciais para reverter a situação. Mesmo com limitações, enxugamos gastos, priorizamos investimentos estratégicos e rapidamente avançamos em diversas áreas: retomamos mais de 300 obras, requalificamos escolas e unidades de saúde, asfaltamos 150 km de vias e lançamos o primeiro Hospital Municipal. Meu compromisso é seguir transformando Campo Grande, sem acordos ou concessões que comprometam o futuro da cidade. A minha prioridade é a população.
Quando assumi a Prefeitura, Campo Grande estava no Serasa. Realizamos um diagnóstico profundo da máquina pública e adotamos medidas emergenciais para reverter a situação
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