OPINIÃO
Há mais de duas décadas, o Brasil não sabe o que é um plano de país. Vivemos numa sucessão de manobras de curto prazo destinadas à sobrevivência eleitoral do PT.
“O governo não tem agenda” era uma frase frequentemente repetida no noticiário na época de Lula 1 e Lula 2.
Mas Lula 3 vive, tranquilamente, sob a lógica de que a memória do eleitor é curta e cuidar das contas públicas é só um detalhe incômodo. Gasto é vida. Dificilmente um jornalista brasileiro incomodará Lula com um assunto tão desagradável.
A imprensa tem o estômago forte, provavelmente bem alimentado por verbas públicas. Em todo lado se vê a referência ao “pacote de bondades” do Lula. Pouco se fala de estelionato, crime ou desespero eleitoral, não há vale-tudo.
A imprensa tem o estômago forte, provavelmente bem alimentado por verbas públicas
Enquanto em 2022, a imprensa dizia que o governo estava encurralado e alertava que o próximo governo herdaria dívidas pela irresponsabilidade das “bondades” bolsonaristas, agora, tudo é mais leve. Afinal, é o Lula.
Até ontem, por exemplo, a taxação das blusinhas era vendida como algo imprescindível, absolutamente necessário para garantir justiça fiscal e a proteção da indústria nacional.
A necessidade passou, a justiça está feita, a indústria protegida. Os princípios econômicos são tão maleáveis quanto o marketing quiser. Quem governa é o Sidônio. Ele dá a última palavra.
Mas nada supera o anúncio de um imenso “investimento” em segurança pública.
Lula chegou a afirmar, nos EUA, que, agora – só agora – o combate ao crime organizado é “pra valer”. Literalmente, ele afirmou:
Mas nada supera o anúncio de um imenso “investimento” em segurança pública
É muito sério. A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Quem escapou até a semana que vem, tudo bem. Mas quem não escapou, não vai escapar mais.
No site do PT, a citação foi outra:
“Quem escapou não vai escapar mais”, diz Lula ao anunciar plano contra o crime organizado
Uma tremenda distorção das palavras do presidente. Será que também estamos autorizados a cometer essa “gafe”?
O fato é que ele anunciou o grande “investimento” de R$ 11 bilhões no combate às facções. E, novamente, a realidade não importa. A maior parte do recurso, na verdade, é uma oferta de endividamento. O aporte do governo é de R$ 1 bilhão e o restante refere-se a uma linha de crédito no BNDES.
Na prática, o governo federal convidou os estados a se endividarem para combater crimes que, constitucionalmente, são de responsabilidade federal, como o narcotráfico e o tráfico de armas. Assim, os estados tomam o empréstimo para policiar fronteiras e combater o tráfico, e ainda pagam juros à União por esse privilégio.
Na prática, o governo federal convidou os estados a se endividarem para combater crimes que, constitucionalmente, são de responsabilidade federal
A estratégia econômica é a de sempre: quebram as pernas e depois vendem as muletas e deixam até os quebrados pagadores de impostos resgatarem o FGTS para pagar. Renegociação de dívidas apresentada como programa de governo, como se o sufoco financeiro das famílias não tivesse sido nutrido pela política de gastos e juros do próprio PT.
Lula só mede o seu sucesso pela quantidade de pessoas que passam a depender do Estado. Dados recentes da Pnad revelam que 22,7% dos domicílios do país recebem dinheiro de algum programa social. Houve um aumento de 5,5 milhões domicílios dependentes em comparação a 2019, quando o índice era de 17,9%.
Enquanto Sul e Sudeste registram as menores taxas de assistencialismo (10,8% e 14,8%, respectivamente), o Nordeste (39,8%) e o Norte (38,8%) escancaram o efeito Lula. No Pará (46,1%) e no Maranhão (45,6%), quase metade das famílias sobrevive com Bolsa Família. É essa “justiça social” que Lula celebra e vende em sua interminável campanha eleitoral.
A estratégia econômica é a de sempre: quebram as pernas e depois vendem as muletas e deixam até os quebrados pagadores de impostos resgatarem o FGTS para pagar
Na verdade, há sim um plano de nação muito bem-sucedido. O PT queria viciar uma quantidade suficiente de eleitores, para que eles acreditassem que, sem Lula, o benefício acaba.
A memória do eleitor é curta, mas o estômago nunca esquece de sentir fome. Lula já sentiu isso na pele e isso o torna cruel de uma forma muito especial. Quem não escapou de Lula até agora, não vai escapar mais.
Artigo publicado, originalmente, no site Não É Imprensa (NEIM), parceiro do MS em Brasília
























