BRASÍLIA
Quanto mais o tempo passa mais o deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, o Trutis, se enrola nas próprias ciladas que armou – das mais “simples”, como mentir sobre economia de recursos da Câmara dos Deputados, às mais graves, como orquestrar atentado contra si, segundo investigações da Polícia Federal, órgão de excelência. O fundo da lama parece não ter fim. Trutis cava todos os dias.
O MS em Brasília nunca pretendeu abordar tantos assuntos sobre uma mesma pessoa, ou autoridade. Mas, desde sua criação, em maio de 2019, o dito parlamentar foi personagem de várias reportagens.
Achava que aprontaria o que quisesse em Brasília e que sua “esperteza” fosse esconder tudo. E anos após anos renovaria o mandato ou mesmo ser alçado a outros mais elevados. Afinal, ele entendia que os 55 mil votos tinham sido frutos da sua “perspicácia”, da sua “eloquência”. Enganou-se. Foi pego na encruzilhada, com as mãos cheias.
De lá pra cá, foram quase três anos. Impossível deixar que fatos aviltantes passassem despercebidos aos olhos da população. O MS em Brasília, se quisesse, teria feito uma reportagem por semana denunciando irregularidades e crimes diversos do parlamentar. Cada linha publicada por nós está sustentada por provas robustas.

Além de forjar o atentado, utilizou verba indenizatória da Câmara dos Deputados para pagar aluguel da casa de luxo onde morou com a ex-mulher e os filhos, no Bairro Vilas Boas, em Campo Grande. Valor perto de R$ 40 mil. Imóvel de 300 metros quadrados (ver aqui), numa atitude espantosa, de quem se lixa para as normas legais.
Viajou com a amante para a Itália, sob pretexto de “missão oficial”, e fez outras viagens dentro do Brasil na companhia da assessora, hoje sua esposa, essas últimas despesas bancadas com dinheiro do contribuinte (ver aqui). Pagou (com o nosso dinheiro, claro) a essa mesma funcionária passagens aéreas nos trechos Brasília-Campo Grande-Brasília, durante recesso do Congresso, em janeiro (ver aqui).
Alugou veículo em Brasília e não pagou, mesmo sendo ressarcido pela Câmara dos Deputados. Cometeu crime de apropriação indébita. Foi processado pela locadora de veículos (ver aqui). Sem contar a ameaça, com revólver, feita uma família de Campo Grande onde consertava seu veículo (ver aqui).
Além de forjar atentado, Trutis pagou (com dinheiro público) aluguel de casa de luxo onde morou com a ex-mulher e filhos
Foi denunciado com base na Lei Maria da Penha (ver aqui). E ainda pagou mais de R$ 30 mil por mês a um escritório de advocacia na Capital com dinheiro público, cujos depósitos duraram quase dois anos (ver aqui).
Tem mais: dirige veículos sem habilitação, dando mau exemplo a uma sociedade que já anda ensandecida no trânsito (ver aqui). Logo ele, deputado federal, eleito para representar cerca de 2,7 milhões de cidadãos sul-mato-grossenses. Conforme denúncia recebida e confirmada pelo MS em Brasília, Trutis nunca se habilitou legalmente para dirigir.
Nos últimos dias, desesperado com a decisão do Supremo Tribunal Federal de abrir prazo para que ele apresente defesa sobre a denúncia de falso atentado, o deputado criou duas figuras fakes para atacar a Polícia Federal em Mato Grosso do Sul e o delegado do caso, Gláuber Fonseca de Carvalho Araújo (ver aqui).

E fez pior: para anunciar laudos periciais inexistentes e opiniões técnicas falsas sobre o caso, utiliza site criado por ele, cujo domínio está em nome da cunhada Ivone Moreno Ambrósio, casada com um dos seus irmãos (ver aqui). Trata-se do www.ms1noticias.com.br.
Primeiro, inventou um “perito”, a quem descreve como “especialista que prestou consultoria à própria Polícia Federal”. Com quadro técnico de excelência, a PF não recorre a consultores. Na semana que passou, a “mente brilhante” de Trutis criou um “jurista”. Ambos sem nome. Dois profissionais técnicos, sem identidade, sem registros ou matrículas nos órgãos de classe, para fazer acusações graves sobre trabalho de oito meses realizado pela PF.

Apuração invejável para quem folheia o inquérito desde a página 1. Digna de roteiros de filme de Hollywood, tamanho o cuidado da Instituição, dos delegados, agentes e peritos, para reunir provas de que, em vez de sofrer atentado, Loester Trutis montou farsa com ajuda do seu chefe de gabinete, ambos indiciados por três crimes (ver aqui).
A escalada criminosa de Loester Trutis se seguiu: patrocinou nas redes sociais ambas as publicações – do “perito” e do “jurista” – para atingir milhares de pessoas. Mesmo que esteja pagando do próprio bolso, ele usa dinheiro como agente público para espalhar laudos e relatórios falsos contra a honra de Instituição da envergadura da PF e dos seus membros.

A água bateu no pescoço do pior político da história recente de Mato Grosso do Sul.
Quem irá pará-lo?
A sociedade espera que o STF possa fazer isso antes de ele escarrar na cara dos sul-mato-grossenses, lançando-se candidato à reeleição ou – acredite – ao Governo do Estado pelo partido Agir (isso mesmo!), ex-PTC.























